Nomadland - Sobreviver na América

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Drama 107 min 2020 15/04/2021

Título Original

Nomadland

Sinopse

Depois de décadas a trabalhar numa empresa de materiais de construção, Fern, de 60 anos, é despedida. Sem nada que a prenda à pequena cidade do Nevada onde sempre viveu com o seu falecido marido, resolve vender todas as suas posses e fazer-se à estrada. Ao longo do caminho, vai-se cruzando com nómadas como ela, que lhe ensinam várias técnicas de sobrevivência e cuja amizade e generosidade vai alterar a sua forma de olhar o mundo.
Com Frances McDormand como protagonista, um filme dramático escrito e realizado pela chinesa Chloé Zhao (“The Rider” e “Songs My Brothers Taught Me”), que tem por base “Nomadland: Surviving America in the Twenty-First Century” (2017), um livro autobiográfico onde Jessica Bruder conta a sua história. McDormand contracena com o actor David Strathair e também com Linda May, Swankie e Bob Wells, três nómadas na vida real que se representam a si mesmos. Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza e do Prémio do Público do Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), recebeu também os Globos de Ouro de melhor filme dramático e melhor Realização, fazendo de Chloé Zhao a segunda realizadora a ganhar este prémio (a primeira foi Barbra Streisand, em 1984, por “Yentl”). Foi o grande vencedor do Critics Choice Awards, ao arrecadar quatro prémios: melhor filme, realizador, argumento adaptado e fotografia (Joshua James Richards). Nos Óscares, foi premiado nas categorias de melhor filme, realizador e actriz principal (McDormand). PÚBLICO

Realizado por

Chloé Zhao

Elenco

Linda May, David Strathairn, Angela Reyes, Patricia Grier, Frances McDormand

Críticas Ípsilon

Postais da desolação

Luís Miguel Oliveira

Um pequeno album de viagem a articular a beleza natural do midwest com a sua desolação social.

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Críticas dos leitores

Teresa Rosado

Nomadland (2020), o filme vencedor de três Óscares em 2021, melhor filme, melhor realização (Chloé Zhao) e melhor atriz principal (Frances McDormand), poderia muito bem ter o subtítulo Guia de como não desperdiçar a vida, porque, na verdade, esse é o tema aglutinador dos relatos que atravessam esta belíssima peça cinematográfica, onde a vastidão do oeste americano é também protagonista. <br />Aparentemente, o título faz alusão às noções de “homeless” ou “houseless”, que são referidas no filme, mas o seu alcance é muito mais abrangente, muito mais complexo. Nomadland é o espaço aberto a todos os que, por opção ou falta dela, abraçam um modo de vida diferente daquilo a que estamos habituados, sem uma casa fixa, sem um emprego fixo. Aqui, tudo é móvel. É com curiosidade e entusiasmo que rumamos com Fern (McDormand) nesta viagem por uns Estados Unidos, paradoxalmente, selvagens e domesticados por grandes empresas que providenciam emprego sazonal para que Fern, e outros, vão sobrevivendo e, ao mesmo tempo, consigam dar continuidade à sua jornada. Ao redor da fogueira, desfiam-se histórias de vida que têm em comum a busca de alguma paz de espírito que apenas a comunhão com a natureza pode oferecer, depois de as suas vidas terem sido tocadas pelo desalento ou até pela tragédia. São vidas envelhecidas na derradeira tentativa de aproveitar os últimos anos de forma livre, conhecendo lugares belos, sem restrições sociais, sem restrições laborais, despojadas de bens materiais que, afinal, não são assim tão necessários; não sem serem, também, apresentadas as adversidades que este modo de vida implica: o desconforto, o frio, o isolamento, a solidão. Neste contexto, há uma crítica latente, mas sempre presente, a um sistema social que não protege nem cuida dos mais velhos, os quais não vêm outra solução para as suas vidas senão meter o indispensável numa carrinha e fazer dela o seu lar. <br />Outro aspeto de nota prende-se com os laços de afetividade que se vão construindo pelo caminho entre Fern e outros nómadas. Um deles, Dave (David Strathairn), acaba por deixar a estrada pelo único motivo possível, a família, o nascimento de um neto que lhe dará a oportunidade de ser o avô que, como pai, nunca foi. Ao contrário, Fern perdeu todos os elos de ligação a terra segura. Família e Natureza parecem ser os grandes eixos de felicidade e realização do ser humano neste filme em que a complexidade dos motivos que levam sexagenários ao nomadismo é observada de vários ângulos, a partir de diferentes personagens e cuja estética nos cativa do início ao fim, quer pela lente elegante de Zhao, quer pela magnífica interpretação de Frances McDormand (não a via tão brilhante desde Fargo, 1996), quer por todos os testemunhos reais (Linda May, Charlene Swankie, Bob Wells) que nos são dados a conhecer e que conferem ao filme um tom documental (não será por acaso que os nomes Dave e Fern parecem diminutivos dos nomes dos atores que os representam). <br />Ainda que o filme abra com referência ao período da recessão de 2008 (Fern é uma das habitantes de Empire, obrigada a abandoná-la, devido ao encerramento da mina, propriedade da empresa mineira United States Gypsum Corporation - USG, onde o seu falecido marido trabalhava), dando a entender que, provavelmente, a única alternativa viável para Fern seria adotar um estilo de vida errante, percebemos, à medida que a vemos cada vez mais imersa no nomadismo, que acaba por se tornar uma escolha e não uma fatalidade, como o mostram duas sequências, determinantes na evolução da personagem: na sua primeira passagem de ano na carrinha ela está só e de semblante carregado. Da segunda vez, ela deixa o espaço exíguo da carrinha e percorre o parque com um foguete na mão, desejando feliz ano novo a todos os que ali se encontram, assumindo o seu estatuto de nómada e mostrando-se feliz com ele.

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Milu Costa

Esta sala de cinema continua a exibir os melhores filmes da época e tem sempre o cuidado de escolher filmes premiados nos melhores festivais de cinema! <br />Muitos Parabéns! <br />Não perco nenhum...

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Pedro Brás Marques

Existe uma América bem para lá dos arranha-céus de Nova Iorque e do glamour soalheiro da Califórnia. Milhões de americanos vivem em situações de pobreza ou próximos disso, vítimas da insensibilidade pragmática dos mercados, que tanto dão emprego como o tiram. Perante o término duma vida estável e dum emprego com horário fixo, há quem largue tudo, desde as raízes familiares aos alicerces de cimento e se aventure pela estrada fora, quais Kerouacs do século XXI, com uma diferença fundamental: ao contrário dos beatnicks e dos backpackers, os “nomads” já estão quase todos no último terço da sua vida… <br /> <br />Fern é uma viúva, sem filhos. A empresa onde trabalhava com o marido, na localidade pomposamente chamada de Empire, faliu ao fim de quase nove décadas. Em seis meses, todos os habitantes saíram e até os correios descontinuaram o código postal. Na sua caravana feita lar, onde guarda o essencial, desde as memórias aos poucos bens que lhe resta, Fern serpenteia pela estrada, de Estado para Estado, à procura de empregos temporários, seja nos armazéns da Amazon ou a limpar latrinas. Pelo caminho, cruza-se com muitos como ela, sem outro destino que não seja viver um dia atrás do outro. São gente boa, que troca os bens uns com os outros, que se reúne à volta da fogueira para se aquecerem, seja do frio ou da solidão. Fern tem várias hipóteses de se tornar sedentária, incluindo pela via amorosa, mas rapidamente conclui que a sua natureza é um pouco como o mar, revolto e imparável na sua batalha contra os imóveis rochedos… <br /> <br />Não é difícil perceber a enorme metáfora da América que “Nomadland” oferece. Como alguém diz, os “nomads” não são gente maluca (interessante que, se colocarmos ali um hífen, fica “no-mads”…) mas antes um grupo de gente que encarna o espírito dos “pioneers”, não só o dos que desceram em Plymouth Rock a bordo do Mayflower, mas o de todos aqueles que desbravaram o imenso espaço que hoje é os EUA, montados em cavalos e carroças, em direcção ao desconhecido, tal qual estes, hoje, só que com autocaravanas. E não perderam a noção de ambição, de sonho, como aquele que, longe do mar, comprou um barco porque, um dia, ia navegar com ele. O leitmotiv dos “nomads” é “I’ll meet you down the road”… Porque a vida é efectivamente um caminho que se cruza com outros, mais tarde ou mais cedo. E esses cruzamentos são pontos de viragem e de aprendizagem. A diferença é que os “pioneers” tinham o futuro à sua frente, enquanto a estes já pouco lhes resta… A passagem do tempo e a forma de o encarar exigem uma sabedoria que só a maturidade traz. Daí o simbolismo do dinossauro, do deserto, das estrelas… Somos muito maiores do que a nossa limitada existência terrena nos deixa ver mas também somos muito mais pequenos do que o nosso ego nos diz. Para caminhar em frente, é preciso largar o passado, mesmo que sejam velhas fotos ou objectos dum ancestral. É precisamente neste ponto que os “nomads” demonstram que alcançaram algo extraordinário: o sentido de comunidade, de entreajuda, de fraternidade, de harmonia com o mundo e com o universo. Aquele momento em que falam sobre estrelas e lhes dizem para estenderem as mãos porque ali vão cair partículas de estrelas, é das mais belas do filme. Assim como quando Fern se funde com a Natureza: ao abrir os braços e sentir o vento, ao olhar para o quente deserto que se estende até ao horizonte ou quando, nua, se deixa envolver pelas águas purificadoras dum ribeiro… No fundo, Fern está em harmonia com os quatro elementos clássicos e essenciais da existência. <br /> <br />Não deixa de ser irónico que esta visão sobre o declínio do “Empire” americano nos seja mostrado por Chloe Zhao, uma realizadora…chinesa, ou seja, alguém que vem dum país que é visto como grande causador da ruptura económica da América (veja-se o documentário “American Factory”, 2019, de Steven Bognar, Julia Reichert). Mas a verdade é que teve sensibilidade mais do que suficiente para perceber o sentido desta história e contá-la sem moralismos ou críticas supérfluas. Filmado em tons frios e secos, com grandes planos e uma câmara irrequieta, o filme está mais próximo do documentário do que outra coisa até porque exceptuando dois actores, todas as demais personagens são interpretadas por verdadeiros “nomads”. Esse par é constituído por David Strathairn, aqui em registo secundário, e pela enorme Frances McDormand que dá vida a Fern e está soberba, o que não é novidade para quem acompanha a sua carreira. O seu ar sério, é agora também triste e melancólico, o cabelo curto dá-lhe um ar ligeiramente andrógeno, como se ela não fosse mulher ou homem, mas antes simbolizasse qualquer ser humano. <br /> <br />Para adensar o clima melancólico de “Nomadland”, Zhao encontrou um extraordinário aliado no piano de Ludovico Einaudi. O italiano não compôs especificamente para este filme, antes viu a realizadora escolher do seu leque de peças as que achou mais indicadas para servirem de cenário sonoro à tristeza de Fern e à melancolia da paisagem. <br /> <br />Filmes destes, onde a gestão do tempo é essencial, quer da personagem, quer do espectador, são cada vez mais raros, já que a vertigem da acção e do tilintar da caixa registadora são sufocantes. Por isso, obras como “Nomadland” são verdadeiros alertas para que a indústria do cinema perceba que, se não mudar, perderá o seu “império”…

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Francisco Dias

"Nomadland" é um filme visualmente lindo e com um trabalho de som que, embora passe despercebido, consegue passar imensa emoção. Também de destacar, a atuação de Frances McDormand que é absolutamente fantástica. No entanto, "Nomadland" sofre imenso problemas de ritmo, tornando-se aborrecido de ver em muitos segmentos e provavelmente nunca irei ver o filme outra vez. Não pretendo tirar mérito a Chloé Zhao, que acho que faz um ótimo trabalho em guiar todos estes não-atores e uma captura de emoção nunca antes vista.

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JF

Um filme que deve ser visto por toda a gente e que retrata o tipo de sociedade que nos está a ser imposta pelo «Acordo Verde» (Green New Deal) e o «Grande Reinício» (Great Reset), onde o desemprego, miséria, má alimentação, fim do direito à habitação e propriedade privada, bem como a adopção de comportamentos anti-naturais e de um modo de vida sub-desenvolvido, são a realidade a que se pretende subjugar os cidadãos.

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José S

Uma história feita de pessoas vivas. Sublime do início ao fim com uma banda sonora a embalar o ritmo dos quilómetros do filme.

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Paulo Guerra

Dificilmente encontraria melhor motivo para quebrar o jejum de cinema em sala, após meses de confinamento forçado, do que a visualização do filme de Chloé Zhao, Nomadland, o mais que merecido Oscarizado filme do ano. <br />Para mim, ver Cinema é ir à sala e deixar a televisão em paz. <br />Mesmo que numa sala com apenas 5 ou 6 companheiros de aventura numa tarde de Coimbra. <br />Éramos seis na sala. <br />Os bastantes. <br />Os suficientes. <br />Deixei o meu sofá entregue aos ácaros e saí para, quase em tom de gala, assistir à projecção de um filme numa sala que me é querida, aqui em Coimbra. <br />Saudei a menina dos bilhetes, minha eterna cúmplice neste ritual quase sagrado, e entrei pelo breu dentro. <br />E ouvi Einaudi a assaltar a sala escura e ávida de gente. <br />Confesso que ia expectante e com a ideia pré-concebida de que este filme seria mais um documentário do que uma obra fílmica. <br />Errei. <br />Redondamente. <br />Não é só um road-movie este «Nomadland». <br />É mais do que isso. <br />Venderam-me como uma adaptação do livro de 2017 da escritora e jornalista Jessica Bruder e reflecte, em 2011, o impacto da crise financeira de 2008, retratando cidadãos norte-americanos desfavorecidos que viajam pelo Oeste do país e que vivem de empregos temporários. <br />Mas este não é um filme comum e atípico. <br />Não é um filme de despedidas mas de eternos reencontros, entre gente nómada, que decide viver assim às fatias, sem poiso certo, considerando que a nossa casa, o nosso lar, reside onde está o nosso coração, sem argamassa ou tijolo. <br />Entre o Nebraska, o Nevada e o Colorado, o nosso mapa acende-se ao som do piano de Einaudi, penetrando em mundos tão desconhecidos e quase inóspitos. <br />Ali não há chão, há muitos chãos, há poeira e mil pós de estrelas que caem todos os dias nas nossas mãos. <br />Ali temos reais nómadas, a fazer de actrizes, a fazer dos seus próprios papéis de vida como se fosse muito mais fácil assim. <br />É tão mais difícil fazer de nós, acreditem. <br />E eles e elas fazem de si próprios, encontrando trabalhos temporários e mal pagos só para subsistirem, verbalizando que lhes basta ter visto uma família de alces à beira rio ou um conjunto de pelicanos perdidos no Alaska, não esperando nada mais da vida. <br />Não têm planos. <br />Apenas a falta deles. <br />Vão-se reencontrando, depois de lutos e lutas insanas contra o tempo ou a falta dele, filhos a pais que não querem sedentarizar no lar perfeito e imobilizante, irmãs que se amam mas que se querem apartar. <br />E há Frances MacDormand, Fren, de sua graça no filme. <br />É superlativa neste registo, em contenção (pouco própria do seu feitio algo histriónico) e profundidade dramática (embora continue a apostar na vitória da minha musa Carey Mulligan, na noite de 25 de Abril). <br />O seu retrato em frente a um velho cinema de aldeia onde passa o filme «The Avengers» é antológico e contraditoriamente perfeito. <br />Tudo ali lhe lembra o marido recém-falecido, ele que nunca quis sair do mesmo local e sempre acreditou que à vida apenas bastava uma casinha branca e uma cerca de trigo loiro. <br />E Fren sai à procura de si. <br />Dos seus silêncios. <br />Das suas ausências. <br />Das suas lonjuras. <br />De uma América cem vezes perdida e mil vezes encontrada. <br />As paisagens da alma de Fren sabem ao gelo e à neve do Colorado e ao calor do Arkansas. <br />Já alguém quis ver no filme uma viagem rumo ao "pesadelo americano" vivenciado pelos invisíveis sem voz, vítimas dos múltiplos atropelos do capitalismo. <br />Não me interessam as razões para estas partidas. <br />O que me afectou na fita de Zao foi a imensa tristeza que me causou. <br />De uma tristeza que se quer sentir. <br />Com a maior das alegrias. <br />Como a cor das quedas de água, das andorinhas andarilhas, dos bisontes cegos de medo. <br />No fundo, a América, ou seja qual for a nossa casa, é muito mais a paisagem agreste das montanhas e dos vales, o choro da criança que anseia por ser mimada pelos pais, o mar que toca nas rochas como se se tratasse de um solo de violino, o Sol que amanhece pela fresta da barraca, do que a argamassa, o tijolo e a materialidade de que nos querem vestir. <br />No fundo, abraçar a crença de que pela estrada, por trás das montanhas, haverá sempre um vislumbre de novidade e futuro, muito futuro, mesmo que sem direito a pujança financeira e sucesso social. <br />Ouve-se por ali: <br />“One of the things I love most about this life is that there’s no final goodbye. I’ve met lot of people out here and we don’t ever say a final goodbye. We just say ‘I’ll see you down the road’. And I do… I see them again.” <br />Swankie, uma nómada real e erigida a actriz, diz a certa altura: <br />"I think I’ve had a pretty good life. How many people can say that?" <br />É verdade - vemo-nos por aí. <br />Para todos os que escolheram partir. <br />Para sempre ou só até ao próximo encontro terreno. <br />* <br />Assim vale a pena fazer Cinema. <br />Assim vale a pena viver para ver isto. <br />Uma tristeza que faz bem. <br />Como se, por hora e meia, a pandemia desaparecesse e, no seu lugar, só me aparecessem poeiras, águias rainhas e escarpas montanhosas por trás do Sol poente.

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Isabel Rodrigues

Nomadland é um filme muito intenso com uma fabulosa interpretação de <br />Frances McDormand. No entanto segundo a minha visão este drama ver-se-ia muito bem numa altura em que não houvesse a pandemia planetária, pois torna-se muito deprimente com mortes, doenças e desgraças.

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Paulo Graça Lobo

Um filme belíssimo, intenso nas imagens e na banda sonora. Melhor não haveria para regressar ao cinema nesta primavera de desconfinamento

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Raul Gomes

"Road movie" de uma mulher que se vê desamparada por morte do marido, e que enfrenta a estrada como nómada, num furgão onde tenta encaixar toda uma vida de recordações. <br />Encontra nessas mesma pessoas que optaram, por querer ou por necessidade, uma compreensão, uma solidariedade, uma fraternidade, e uma igualdade que nos comove, ainda mais com a elevada performance de Frances McDormand, mas longe da extraordinária personagem de Três Cartazes à Beira de Estrada. <br />Vivendo de empregos precários e mal pagos (vulgo Amazon), vão sobrevivendo à base de trocas, em que cada um leva o que precisa e deixa o que não quer. <br />Mesmo quando se proporciona uma estabilidade emocional e residencial, a chamada de liberdade é mais forte. <br />Bem filmado e melhor realizado, um só senão nas montagens de cenas que poderiam e deveriam ser mais exploradas. <br />Uma rede humana que nos transporta a um começo de civilização, e que muitas vezes a vida que levam é muito diferente daquela que passa na estrada a poucas centenas de metros do parque de caravanas. e, isso até se vê nos SSV (moto-quatro) que os visitam à procura, ou à ganância de um lucro fácil, face às dificuldades dos eventuais residentes.

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