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Hamnet

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125 min 2026 M/12 05/02/2026 EUA, GB

Título Original

Sinopse

Com o que é que se parece o cinema de Chloé Zhao? "Eternals(2021) era um filme de super-heróis, com toda a pompa messiânica; "Nomadland", o filme dos Óscares em 2021, encostava-se à mitologia americana do outsider e do "road-movie" com componente de radiografia social.

Em "Hamnet", Zhao regressa à intimidade do drama humano, acompanhando um William Shakespeare (1564-1616) devastado pela morte de um filho, experiência que estaria na origem de Hamlet, uma das suas obras-primas. O argumento, assinado pela realizadora, adapta o romance homónimo de Maggie O’Farrell.

Com Sam Mendes e Steven Spielberg na lista de produtores, este drama biográfico soma sete nomeações para os Óscares, entre elas a de melhor filme, realização, actriz (Jessie Buckley) e argumento (Zhao). O elenco inclui ainda Paul Mescal, Emily Watson, Joe Alwyn, Jacobi Jupe, Bodhi Rae Breathnach e Olivia Lynes. Vasco Câmara, PÚBLICO

Críticas Ípsilon

Com oito nomeações para os Óscares, Hamnet ensaia a explicação do inexplicável

Jorge Mourinha

Hamnet chega na altura certa para surfar a onda das nomeações para os Óscares, mas só na última meia hora se torna o filme que devia ter sido desde o início. Estreia-se em Portugal quinta-feira.

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Críticas dos leitores

A morte saiu à rua

Paulo Guerra

"Hamnet"- a morte saiu à rua. E fui vê-lo uma segunda vez, agora com a Mulher que eu amo (não consigo interiorizar os "meus" filmes favoritos sem a presença, na minha companhia, da Constança). Vi-o sozinho há dias e não consegui falar dele. Apenas de o sentir. É a hora agora. De verbalizar sobre ele.

Fala de ervas doces e selvagens, de pés nus e de mãos calejadas e negras da terra em que se envolvem. De presságios centenários, de mães bruxas no lado certo da história, de florestas e falcões, de um tutor de Latim e de uma Mulher visionária. Ela toca nas mãos dos outros e sente o futuro visto, calmamente visto. Agnes encontra Will e conclui que ele tem mais mundo interior que todos os homens que conheceu. E, por isso, entrega-lhe o seu Amor, essa indecente obsessão que suporta o mundo e que, não raras vezes, corrói os dias.

Will vai ser um supremo bardo em Terras de Sua Majestade mas, por ora, é apenas um aprendiz de poeta e das liturgias das tábuas. Nasce uma primeira filha, Susanna de sua graça. Depois, vêm ao mundo dois gémeos, Hamnet e Judith. E aqui tudo parece mortificadamente confuso para Agnes - afinal, eram duas as pessoas que ela via no seu leito de morte... E os filhos são três! A pestilência chega sem se fazer convidada. E Hamnet decide desafiar a Morte, fazendo em quase morte aquilo que lhe era costume em vida - enganando, trocando as vidas, como se de uma peça teatral se tratasse. E aí a tragédia shakespeariana dos enganos ganha foros de relevo.

A ficção confunde-se com a Vida, o fantasma do pai volta para se redimir da sua ausência aquando da partida do filho, a história de Eurídice e Orfeu repete-se - e aquele olhar final entre os dois progenitores de Hamnet fazem-no voltar à vida, mesmo que por um fugaz instante e sob a capa diáfana dos interstícios da peça que Will escreveu com a dor nos dedos. O pai olha para a mãe em pleno palco. E, afinal, em vez de a condenar à mortificação eterna, tal como na lenda de Eurídice, dá-lhe um sopro de vida que a tudo aquilo dará sentido.

Este filme sente-se. A obra literária de Maggie O’Farrell é também sublime. Mas a realização de Chloé Zhao é soberba em contenção, sensibilidade e arrojo visual. Teve azar este ano - competir com uma obra-prima chamada este "Batalha Atrás de Batalha" do PTA não é fácil. Mas este filme que vi deliberadamente duas vezes entrou-me na alma. Para lá ficar para sempre. Actores em estado de graça. Mescal é o melhor jovem actor da actualidade.

Buckley é a mais do que certa actriz do ano (e esperem pela sua «A Noiva» já esta semana) - esta interpretação crua e acre perdurará nos anais das melhores de sempre... Max Richter volta a encantar-me com as suas notas musicais. Por aqui é fácil amar as mulheres que aceitam sacrifícios e apoiam o sucesso dos seus maridos, o amor que sentem pelos filhos (elas e eles), os pés descalços a tocar no chão, os toques e rituais nas florestas de duendes e gnomos (e buracos negros), nas folhas, nas ervas que curam, nos abraços que se dão.

Por ali há unhas sujas e mantras que seguem as crianças mesmo quando a mãe não está por perto. Há amor puro entre irmãos. Há nomes que dilaceram mas que se podem transformar em redenção – de Hamnet a Hamlet vai um sopro de inspiração. E há por ali espadas, florestas, elefantes, mitos, sonhos, tão próximos do Amor que nos salva... O resto… é o silêncio!

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Gostei

Cris

Eu gostei do filme. Os actores são muito bons. O filme é intenso.

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2 estrelas

José Miguel Costa

Aquando do visionamento do trailer do filme "Hamnnet" não fiquei minimamente siderado. Todavia, devido ao facto do mesmo ter "saido das mãos" da realizadora do inesquecivel "Nomadland" (Chloé Zhao), bem como por ser protagonizado pelo Paul Mescal, optei por "dar-lhe uma oprtunidade".

Como "nunca tenho dúvidas e raramente me engano" (parafraseando alguém de má memória ��), confirmei que efectivamente este drama de época (com centro nevrálgico na Inglaterra da década de 1580), que especula sobre o evento inspirador da criação de uma das obras literárias maiores do então pobre tutor de latim William Shakespeare (a dor dilacerante provocada pelo falecimento do filho), não passa de uma lamechice monumental (decorada por uma excelente cenografia).

Não obstante, esta obra (nomeada para 9 óscares), por certo, irá encher as salas de cinema com espectadores que ensoparão as pipocas com lágrimas. @jmikecosta

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