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Mektoub, Meu Amor: Canto Segundo

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Romance, Drama 139 min 2025 M/14 16/04/2026 FRA

Título Original

Amin regressa a Sète, uma aldeia piscatória junto ao Mediterrâneo, após concluir os estudos em Paris. Ali conhece Jack Patterson, um produtor de Hollywood que demonstra particular interesse por Os Elementos Essenciais da Existência Universal, um argumento da sua autoria. Jack propõe-lhe usar esse texto num filme em que Jessica, a sua mulher, seja a protagonista da história.

Em competição no Festival de Cinema de Locarno, este filme do franco-tunisino Abdellatif Kechiche ("A Esquiva", "O Segredo de um Cuscuz", "Vénus Negra", "A Vida de Adèle", Palma de Ouro em Cannes) é o último tomo de um projecto de três filmes que incluem "Canto Primeiro" (2017) e "Intermezzo" (2019, nunca estreado em Portugal). O argumento, escrito por Kechiche, François Bégaudeau e Ghalya Lacroix, é inspirado em La Blessure, la Vraie, da autoria de Bégaudeau (autor que também motivou Laurent Cantet a realizar o filme "A Turma"). O elenco conta com Shaïn Boumedine, Ophélie Bau, Salim Kechiouche, Jessica Pennington e Andre Jacobs. PÚBLICO

Sessões

  • Braga

  • Lisboa

Críticas dos leitores

5 estrelas

José Miguel Costa

O filme “Mektoub, Meu Amor: Canto Segundo.”, realizado e co-escrito pelo franco-tunisino Abdellatif Kechiche, é uma espécie de descontraída crónica íntima e sensual sobre as banais rotinas, desejos, sonhos e hesitações de um grupo de jovens amigos de ascendência magrebina de uma vila piscatória junto ao Mediterrâneo (Sète), durante o “verão azul” de 1994.

A história per si poder-se-á considerar algo básica (Asmin – o pólo aglutinador de toda a narrativa, interpretado pelo magnético Shaïn Boumedine -, recentemente retornado à terra natal, depois de abandonar o curso de medicina, em detrimento da escrita e fotografia, é surpreendido pelo alegado interesse de um famoso produtor de Hollywood - de férias em França - num argumento da sua autoria, com a condição de que a sua mulher assuma o papel de protagonista).

No entanto, tal é irrisório perante o cinema orgânico/”carnal” (e inundado de luz) com que Kechiche nos brinda, numa quase ode ao exotismo (sem que para tal tenha necessidade de incluir quaisquer cenas de cariz sexual). Através de planos longos (através dos quais somos inseridos no seio das intermináveis conversas mundanas dos intervenientes, em torno das suas decisões emocionais e/ou estados de espírito) e close-ups constantes (que “sugam as suas almas”), captados por uma frenética câmara de mão, somos hipnotizados por um “realismo febril” que parece improvisado, instintivo e eminentemente caótico (e tudo isto tendo apenas por base a expressividade/”verdade” emanada pelos rostos que nos fitam “olhos nos olhos”).

Em suma, Kechiche consegue transmitir a “essência humana” (sem ter de aludir à Palavra) como poucos o fazem! @jmikecosta

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