Lobo e Cão

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Drama 111 min 2022 M/14 08/12/2022 POR

Título Original

Ana nasceu na pequena vila de Rabo de Peixe, em São Miguel (Açores), um lugar dominado pelas tradições e também por um certo obscurantismo religioso. Sentindo-se presa, o seu grande sonho é ir para um lugar onde possa ser quem quiser. 
Uma produção da Terratreme com a francesa La Belle Affaire, este filme tem assinatura de Cláudia Varejão ("No Escuro do Cinema Descalço os Sapatos", "Ama-San", “Amor Fati”). Nas palavras da realizadora, “Lobo e Cão” fala sobre “o que é ser jovem num território cercado pelo mar e, nestes contextos em particular, de bastantes dificuldades económicas e sociais”, onde a ambição de “atingir outros lugares, outros conhecimentos, para concretizar o sonho, está mais comprometida”. Rodado com elenco totalmente amador na vila de Rabo de Peixe, este drama conquistou o prémio principal da secção “Giornate degli Autori”, no Festival de Cinema de Veneza.  PÚBLICO

Sessões

  • Lisboa

Críticas dos leitores

Bolo e Pão

Lucas

Sem sabor a nada. Uma seca do princípio ao fim.

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3 estrelas

José Miguel Costa

A cineasta portuense Cláudia Varejão mudou-se com malas e bagagens, durante um ano, para a ilha de São Miguel (Açores) para "construir", em conjunto com uma jovem comunidade local de não-actores LGBTQI+, o filme "Lobo e Cão" (desenvolvendo com eles todo o trabalho de escrita, produção e rodagem desta obra que aborda as temáticas dos papéis e identidade de género, sexualidade, religião e tradição num limitado contexto de insularidade). Deste modo, e fazendo-se valer de uma "câmara intima e cúmplice, conseguiu captar a essência/genuinidade de cada um dos intervenientes, daí resultando um singular coming-of-age queer açoriano, que interliga na perfeição os registos naturalista (quase documental) e ficcional (sendo, por vezes, difícil percepcionar as fronteiras de ambos). Todavia, é nos momentos em que resvala do domínio do realismo (e nomeadamente quando coloca em confronto o sagrado e o profano) que o filme efectivamente explode em cor e num mix de desbragada festa sedutora e kitsch (e sim, sem dúvida, a mais valia desta obra decorre da estética destas cenas mágicas). O enredo (dotado de uma narrativa pouco coesa) acompanha a rotina da jovem Ana e do seu melhor amigo (Luís), ambos a atravessarem um processo de definição sexual queer num território conservador (no qual o binarismo, ditado pelas fortes tradições religiosas, impinge os papéis dicotómicos destinados/apropriados para os homens e mulheres na sociedade). No entanto, a cineasta não adopta uma abordagem paternalista ou excessivamente woke, até porque não se verifica por parte da comunidade envolvente uma discriminação agressiva (salvo raras excepções), sendo mais um assunto do qual não se fala ou finge-se não ver.

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Queijo dos Açores

Saraiva

Isto é: comunidades lgbt+ existem em toda a parte e quase todas lidam com preconceitos. Vamos então falar de uma das menos interessantes do país e espetar ao espectador uma seca "sensível" de duas horas.

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Sensível

Elisa

Eu achei lindíssimo, e muito sensível e delicado. A banda sonora, a imagem, as pessoas, as dificuldades, a diferença. Tem a ver com a diferença. E como aguentar e ultrapassar a rebentação das ondas até se chegar a um lugar mais sintonizado com o que se quer. Vi aqui críticas péssimas. Dizem que o gosto não se discute. Eu acho que se discute. Há gosto ou falta de gosto. Ponto. Portanto, quem leu esses disparates intelectuais... atrevam-se a ignorar e experimentar o visionamento do filme. Podem ter uma surpresa agradável e um tempo bem preenchido. Como eu tive.

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Lobo e cão

Nuno Rebelo

O filme parecia uma publicidade da meo de lgbt washing. Vi uma entrevista em que a realizadora fala que se mudou para os Açores e que conheceu aquelas pessoas e os ajudou, etc. Não está nada disso no filme. Aquelas pessoas estão totalmente estupidificadas, reduzidas a maquilhagem e dança. O elenco podia facilmente ser feito com uma agência de figurantes e o filme seria o mesmo. Mas no fundo, Cláudia Varejão sabe bem a banha da cobra que vende. A prova disso está na mesma entrevista quando fala em "experiências orquestrais transformadoras", uma frase que dá para tudo. Na defesa do seu filme, a realizadora é tão genérica quanto uma astróloga.

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Do gesto burro ao abraço cão

Cândida Lobato

Apontar uma câmara a um carvalho não o mostra. Andar à volta dele com a câmara pode permitir que se olhe para ele, mas não o evidencia. O filme canibaliza-se a partir de metade quando revela a ingenuidade de pensar que olhar signifique ver.

A dormência com que Varejão escolhe os seus caminhos e coloca os seus olhares sobre as pessoas é pesarosa porque é vazia. Mas há mais do que isso. Há uma traição, um aproveitamento, uma chico-espertice no "abraço" que o filme quer dar às pessoas que filma, ao não as tentar salvar da sua própria pequenês.

E isso, na minha opinião enquanto mulher gay que habitou uma ilha metade da vida, é imperdoável.

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Perda de Tempo

Carolina Pires

Tento ver todos os filmes portugueses que saem e a minha teoria é que ou são trash puro como "Curral de Moinas" ou são preguiçosos e passivos como este. Onde está o meio termo? Se no "Curral de Moinas" o propósito é chocar o espectador com audácia de mau gosto, aqui o propósito é mais difícil de identificar. Contar uma história não pode ter sido. Deslumbrar o espectador até à morte também não será. Mostrar personagens fascinantes... Também não foi por aí. Apresentar a autora como muito profunda? Como, se fica sempre tudo à superfície? Enfim, lá fiquei a ver até ao fim, mas parecia que nunca mais acabava. Também perdi toda a vontade de voltar aos Açores, que não devia ser a intenção original, mas o filme faz aquilo parecer o pior lugar da terra.

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Lobo e cão

Luisa Perez

Não entendo porque é que o cinema português dá um passo à frente e dois atrás. Já houve provas de que fazer filmes só para satisfazer o ego não cativa espectadores. Se calhar não é comunicar que interessa a certos realizadores. Ou então não é o público português que interessa. Não sou a favor do lixo comercial que alguns têm tentado, mas não gostei de me sentar numa sala e ficar quase duas horas a ver personagens tão banais a ser mostradas como se fossem muito exóticos só porque vivem numa ilha. É o tipo de pensamento que as artes em Portugal deviam estar a repelir em vez de abraçar. A auto-exotização é um gesto tacanho e perverso que não educa nem entretém. Ao menos se o filme contasse uma narrativa que ajudasse o espectador a perceber o ponto de vista... mas não existe ponto de vista, não existem ideias, não existem propostas, nem personagens nem história. Existe uma bela direcção de fotografia e 111 minutos de nada.

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Bastou

Leonor Santos

Não consegui ver até ao fim. Achei fútil e desinspirado, a tentar picar os temas da moda mas sem desenvolver. A autora parece achar que basta mencionar as questões para que elas façam parte do filme, sem precisar de oferecer mais.

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Banal

Luis Gamito

Infelizmente para mim, que prefiro outro género de abordagem, o filme opta por não ter uma história. Os filmes que conseguem fazer isso bem normalmente apoiam-se em personagens fascinantes, reais ou construídas. No caso deste filme, é tudo bem desinteressante, à excepção da fotografia (embora também ela seja a puxar ao Euphoria). As personagens são um bocado cringe e não nos deixam envolver-nos no que está a acontecer, que é quase nada. Achei uma perda do meu tempo.

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