Os Irmãos de Leila

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Drama 165 min 2022 M/12 08/12/2022 Irão

Título Original

A iraniana Leila (Taraneh Alidoosti) dedicou a sua vida a cuidar do pai e dos quatro irmãos, agora adultos. Um dia, tem a ideia de abrir um negócio familiar onde todos possam trabalhar, deixando de estar dependentes das injustiças dos patrões. Mas, para o conseguir, precisa da ajuda monetária do patriarca, que se recusa a gastar seja o que for. 
Em competição no Festival de Cinema de Cannes, um drama familiar com assinatura do iraniano Saeed Roustayi, também responsável por “A Lei de Teerão” (2019). PÚBLICO

Críticas Ípsilon

Por um punhado de moedas de ouro

Luís Miguel Oliveira

Retrato, bastante severo, da vida iraniana citadina de todos os dias, conservando uma dimensão crucial de fábula económica.

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  • Lisboa

Críticas dos leitores

5 estrelas

José Miguel Costa

Em junho fiquei arrebatado com a primeira longa-metragem do iraniano Saees Roustaee (33 anos)", "A Lei de Teerão" (de 2019, mas estreada tardiamente devido à pandemia). Poucos meses depois eis que fui novamente acometido por tal sensação ao visionar a sua recente obra, "Os Irmãos de Leila". Poderoso drama de ritmo intenso, repleto de segredos e dilemas morais, que nos insere num seio familiar à beira de um ataque de nervos, cuja disfuncionalidade é agudizada pela crise económica que grassa no país governado pelos Aiatolás. Este é constituído por 7 elementos: UM VELHO (desprezado por ser forreta, mesquinho e mentiroso, com um único objectivo de vida, a eventual nomeação a patriarca da comunidade, mesmo que para tal tenha que doar 40 moedas de ouro, enquanto o seu núcleo familiar vive na pobreza), A MULHER (invisível e desinteressada, apenas existe para carpir as doenças e atazanar a filha, que odeia com todas as forças, apesar da sua condição de quase escrava), 4 FILHOS HOMENS fracassados (o vigarista, que subsiste de tentativas de burlas; o gordo parasita, carregado de filhos, pouco amigo do trabalho; o fã do halterofilismo "fraquinho do cérebro"; o honesto/emocional e eternamente indeciso, recém-retornado ao lar, após despedimento da fábrica, e que até à data fugia a sete pés das "novelas mexicanas" dos parentes por lhe sugarem a energia) e A FILHA quarentona (a guardiã e o "cérebro" que sustenta todos eles - por ser a única inserida profissionalmente - e os "manipula"/gere implicitamente). Portanto, numa sociedade assumidamente patriarcal, na qual o poder de decisão da mulher é nulo, o papel de "homem da casa" é assumido pela "cidadã de segunda" (brilhantemente encarnada pela Taraneh Alidoosti). O realizador ironiza deste modo (com diálogos de grande impacto e muito humor à mistura) sobre as absurdas idiossincrasias hierárquicas do regime (embora não estejamos perante uma obra de cariz marcadamente panfletário), Para reforçar a mensagem transmitida faz-se valer de múltiplos (e competentes) truques visuais, nomeadamente, close-ups intoxicantes, ou campos e contracampos em ebulição constante que salientam a claustrofobia do espaço diminuto que habitam. E, qual cereja no topo do bolo, em dois momentos distintos (na cena do casamento e no encerramento), quase "vindo do nada", explode em cor e "festa" desbragada.

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