Franz
Título Original
Realizado por
Elenco
Sinopse
Nascido em 1883, em Praga (na época integrada no Império Austro-Húngaro), Franz Kafka é um dos autores mais populares e influentes do século passado. Em A Metamorfose (editado em 1915), O Processo (1925, póstumo) ou O Castelo (1926, póstumo), explorou temas como a alienação, a culpa, a burocracia e a fragilidade do indivíduo perante um mundo incompreensível.
Realizado por Agnieszka Holland ("Mr. Jones - A Verdade da Mentira", "Charlatão", "Green Border - Zona de Exclusão"), que segue um argumento seu e de Marek Epstein, este filme biográfico acompanha o escritor desde a infância até aos últimos dias da sua vida, percorrendo a difícil relação com os progenitores – sobretudo com o pai, um homem autoritário e violento –, os anos passados como empregado de uma companhia de seguros, a relação que mantinha com o judaísmo, a sua vulnerabilidade emocional e também a constante resistência à intimidade, algo que se reflectiu em todas as suas relações românticas.
O elenco conta com Idan Weiss, Peter Kurth, Katharina Stark, Sebastian Schwarz, Carol Schuler, Jenovéfa Boková, Ivan Trojan e Sandra Korzeniak. PÚBLICO
Críticas Ípsilon
Franz, de Agnieszka Holland: a barata sai cara
Agnieszka Holland filma a vida de Franz Kafka de modo tudo menos kafkiano; fica explicado porque é que Franz, que finge ser muito mais moderno do que na verdade é, é um tiro ao lado.
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3 estrelas
José Miguel Costa
O filme "Franz", realizado e co-escrito pela polaca Agnieszka Holland, é um biopic não convencional do icónico escritor checo Franz Kafka (num quase registo "kafkiano" - estranho seria se tivesse optado por uma abordagem linear, face à sua peculiar personalidade e Obra atormentada e "psico"). Trata-se de um fragmentado produto híbrido que foge da narrativa de época, oscilando num constante (e, por vezes, caótico) "vai-vem" temporal (não apenas entre a infância e a idade adulta do dito cujo, mas também com uns pulos até à actualidade, para expôr-nos perante imagens reais da mercantilização desenfreada da marca Kafka), e misturando, simultaneamente, comédia absurda (a titulo de exemplo, amiúde, os protagonistas quebram a chamada "quarta parede" e opinam directamente connosco) e linguagem documental. Para "ajudar à festa", ainda se aventura numa "dissecação" do imortal escritor, através de três blocos narrativos autónomos, que se vão entrelaçando entre si (de modo nem sempre eficaz): - um deles, iminentemente factual, vai desfiando os idiossincráticos traços de personalidade (as constantes inquietudes, as contradições de natureza diversa e as múltiplas obsessões) e eventos de vida mais marcantes (a conturbada relação com o progenitor, as inseguranças em relação ao sexo oposto e aos seus escritos - que mandou destruir - e a morte prematura consequência da tuberculose; - noutro são encenados pequenos trechos das suas obras, sob forma de sonhos, com o próprio protagonista como personagem central; - trechos da Praga do presente, para que assistamos à venda do Kafka aos turistas (que pouco, ou nada, sabem sobre o mesmo). Esta especificidade estilística, que engrandece a película, acaba, ironicamente, por ser, igualmente, o seu "calcanhar de Aquiles", já que prejudica o ritmo e coesão. Para além, de implicar uma certa superficialidade. Realce-se a notável performance Idan Weis, que encarna um enigmático Kafka.
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