A Amiga Silenciosa
Título Original
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Elenco
Sinopse
Ver sessõesUma história contada em três épocas, ao longo de mais de 100 anos e num mesmo lugar: o jardim botânico de Marburg, uma cidade universitária localizada na Alemanha, onde se encontra enraizada uma majestosa nogueira-do-japão.
Em 1908, uma jovem estudante de botânica encontra na fotografia uma forma de olhar e compreender o mundo das plantas; em 1972, um estudante de comportamento animal estabelece uma relação inesperada entre humanos e plantas; em 2020, durante o confinamento devido à covid-19, um neurocientista de Hong Kong inicia uma experiência com a árvore, de modo a perceber outros tipos de emoções e formas de comunicação.
Três histórias separadas pelo tempo que se interligam no mesmo espaço e através da mesma árvore, num esforço para compreender as capacidades sensoriais das plantas e o lugar que nós, humanos, ocupamos no mundo.
Seleccionado para competir na edição de 2025 do Festival de Cinema de Veneza, esta co-produção entre a Alemanha, a Hungria, a França e a China tem a cineasta húngara Ildikó Enyedi ("Corpo e Alma", "A História da Minha Mulher") na cadeira de realizadora e argumentista. Tony Leung Chiu-wai, Léa Seydoux, Luna Wedler, Enzo Brumm e Sylvester Groth assumem as personagens principais. PÚBLICO
Críticas Ípsilon
A Amiga Silenciosa: o sol do Ginkgo biloba
Ildikó Enyedi procura filmar a possibilidade de uma forma de “consciência” botânica.
Ler maisSessões
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Cinema City Alvalade, Lisboa
15h20, 18h20
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Cinema City Alvalade, Lisboa
15h20, 18h20
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Cine-Teatro António Pinheiro, Tavira
20h
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Cine-Teatro António Pinheiro, Tavira
20h
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Críticas dos leitores
A Amiga silenciosa
Maria Santos
Filme belíssimo que no entanto, fica aquém de personagens que sejam empáticas e providas de alguma profundidade...
Excelente fotografia e música.
Um convite a demorar e a sentir
Álvaro Fonseca
É raro termos oportunidade de assistir em exibição comercial a um filme de ficção que nos convida a testemunhar as relações entre humanos e plantas. Trata-se de uma obra de uma sensibilidade estética e poética pouco usuais, que cruza três histórias passadas no mesmo local, mas separadas temporalmente.
As personagens humanas de cada história são seres "fora da caixa" que, levados pela curiosidade, se deixam sensibilizar/tocar pelo mundo das plantas, cada um/uma à sua maneira. A personagem comum às três histórias é um indivíduo centenário da espécie Ginkgo biloba, existente na realidade no Horto Botânico do campus da Universidade de Marburg, na Alemanha, que serve de cenário à narrativa.
Existem diversos paralelos e entrelaçamentos entre as personagens e a árvore, que vão sendo revelados ao longo do filme. Em particular, o neurocientista chinês da história contemporânea partilha com a árvore um deslocamento geográfico e cultural, exacerbado pela escolha do ano pandémico de 2020 como contexto – de notar que aquela árvore terá sido trazida da China, ficando desligada do seu contexto original e sem possibilidade de interagir com outros membros da sua espécie.
O filme invoca ainda diferentes questões relevantes de forma mais ou menos subtil, mas inteligente: As plantas dispõem de sensibilidade e de inteligência? É possível estabelecer comunicação entre humanos e plantas? Como conciliar a temporalidade de uma árvore com a dos humanos? Qual o papel da ciência e do conhecimento não-científico no nosso conhecimento sobre o mundo? O mundo académico é movido por preconceitos ou pelo desejo do conhecimento?
Para quem quiser saber mais sobre uma das linhas de investigação mais interessantes e desafiantes no domínio da sensibilidade, comunicação e inteligência das plantas, sugiro procurar o trabalho da investigadora Monica Gagliano (em particular, o seu livro “Thus Spoke the Plant”), que terá inspirado a personagem da Drª. Alice Sauvage (um piscar de olho da realizadora) no filme e cujas abordagens pouco ortodoxas lhe têm trazido o desdém dos biólogos vegetais mais convencionais.
Para quem se souber deixar levar pelo ritmo e sensibilidade do filme, será certamente uma experiência arrebatadora e comovente.
Filme entediante
João Vaz
Imagens repetitivas, falta de nexo e cenas inverosímeis, num filme muito longo que cansa o espetador.
Bonito mas não comovente
João Delicado
"A Amiga Silenciosa" é um filme de uma enorme beleza visual. A fotografia merece os planos demorados que a realizadora lhe concede e o filme assume, sem escrúpulos, a sua natureza contemplativa: abranda o tempo, demora o olhar, obriga-nos a reparar. Houve momentos em que senti precisamente isso — como se o filme estivesse a apurar a qualidade do meu olhar.
É particularmente feliz a proposta de acompanharmos três histórias paralelas, cada uma no seu tempo, tendo como ponto de encontro a mesma árvore. A sua omnipresença introduz silenciosamente uma mudança de escala: lembra-nos a nossa pequenez perante a natureza e, sobretudo, a brevidade da vida humana quando comparada com a de outros seres que permanecem por muito mais tempo do que nós.
O filme deixa também muitas pontas soltas. E talvez isso seja coerente com a própria árvore que retrata: um só tronco do qual partem inúmeros ramos, membros que se estendem em diferentes direções sem precisarem de regressar todos ao mesmo lugar.
O problema, para mim, está noutro ponto. À lentidão e à contemplação não corresponde necessariamente uma igual profundidade emocional ou psicológica. O filme convida-me a olhar demoradamente, mas não me senti convidado a entrar verdadeiramente dentro das pessoas que estou a observar. E essa é uma dimensão que valorizo muito quando me sento diante de uma tela de cinema.
Em suma, "A Amiga Silenciosa" é um filme belo, inteligente e visualmente delicado, capaz de tornar o nosso olhar um pouco mais atento. Mas não me comoveu, não mexeu comigo, não me tomou, não me levou com ele.
4 estrelas
José Miguel Costa
"A Amiga Silenciosa" (co-produção entre a Alemanha, a Hungria, a França e a China) marca o regresso aos grandes ecrãs da veterana realizadora húngara Ildikó Enyedi (que nos brindou em 2017 com a obra-prima "Corpo e Alma" - galardoada com o Urso de Ouro no Festival de Berlim).
Um intimista e subtil drama sensorial que emana lirismo (nomeadamente a nível visual) por "todos os poros", cuja narrativa simples (e, provavelmente, algo arrastada para espectadores pouco adeptos do registo de natureza contemplativa, interessado nos silêncios e pormenores) indaga sobre a eventualidade das "testemunhas silenciosas" do reino vegetal serem dotadas de emoções/sentimentos, bem como possuírem uma linguagem universal (que urge apreendermos). A sua elegante narrativa multiplot divide-se em três histórias paralelas (separadas por um hiato temporal de cerca de um século - 1908, 1972 e 2020), expostas num constante "vai-vem" sem ordem específica e destituídas de qualquer interligação entre si.
O único fio condutor em comum é uma imponente árvore centenária (nogueira chinesa) do campus universitário de Marburgo (que acaba por constituir-se como a personagem central). E, obviamente, a sua temática de base, a paixão pelas plantas por parte dos três protagonistas (duas jovens estudantes universitárias - uma das quais carrega o peso de ser a primeira mulher aceite numa misógina universidade alemã - e um neurocientista veterano que encetam por "carolice", e de modo autónomo, experiências inovadoras com as suas "amigas").
Realce-se a (excelente) opção de transitar entre formatos fílmicos (contraste preto e branco/cor e película/digital) consoante a época retratada, bem a performance sóbria do actor fetiche de Wong Kar-wai (Tony Leung Chiu-wai).
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