O Gosto do Saké
Título Original
Sanma No Aji
Realizado por
Elenco
Sinopse
Último filme de Yasujiro Ozu que, doente, sabia que moreria em breve. Daí esta reflexão nostálgica sobre "o Inverno da vida" seja também a sua despedida ao "gosto do saké" bebido quase como num cerimonial contendo a memória do passado e dos "bons tempos". O mais perfeito filme de Ozu, aquele onde a depuração do seu estilo atinge níveis supremos. PÚBLICO
Críticas Ípsilon
Críticas dos leitores
O Gosto do Saké
Fernando Oliveira
Aquando da “descoberta” do Cinema japonês pela crítica francesa na década de cinquenta, os filmes de Ozu ficaram esquecidos na sombra da obra de Kurosawa ou Mizoguchi. O seu Cinema demasiado intimista, estudante das consequências que os pequenos dramas provocam nos hábitos quotidianos e nos estados de alma dos seus personagens, aliado a um formalismo detalhado de forma quase maníaca, tornava difícil a compreensão da sua, agora óbvia, genialidade.
Depois de várias obras-primas filmadas a preto-e-branco (“Primavera Tardia” e “Viagem a Tóquio” são as mais conhecidas), em 1958 Ozu iniciou-se na cor com o sublime “A Flor do Equinócio”, continuou a usá-la até o seu último filme, este “O Gosto do Saké” (morreu no ano seguinte, demasiado cedo, com 61 anos). E, como tudo nos seus filmes, a cor é usada como parte do movimento dramático do filme, aqui fabulosamente fotografada por Yûharu Atsuta.
“O Gosto do Saké” é mais um filme sobre as diferenças do olhar entre as diferentes idades da vida. É uma história de amor paternal, um idoso ex-militar quer encontrar um marido para a sua filha que dele toma conta; prefere ficar sozinho do que a filha fique sozinha. Mas há sempre o gosto do saké para compensar esta solidão...
Este filme é uma demonstração exemplar do confronto sempre presente no cinema de Yasujirô Ozu entre a modernidade (aqui o desenho arquitectónico da cidade) e a tradição (os cenários interiores, os rituais) onde se inscrevem histórias sobre relações familiares, um olhar quase sempre terno sobre a banalidade do dia-a-dia, e como pano de fundo sempre distante, mas subtilmente influenciadora, a realidade do Japão.
É um Cinema já num estado de depuração absoluta nas suas formas, mas que na sua aridez deixa sempre passar, como compensação, um olhar carinhoso e delicado sobre os seus personagens. E como são extraordinários os planos finais nos filmes de Ozu: os deste, que são mesmo os seus últimos, são uma das coisas mais belas (como é que alguém consegue filmar o vazio imenso que define a solidão desta maneira tão sublime?) que alguma vez vimos em Cinema. Belíssimo e genial. (em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.com")
Homens Definitivamente Sós
J.F.Vieira Pinto
Outra maravilha
Raul
cooliveira@sapo.pt
Conceição Oliveira
Envie-nos a sua crítica
Submissão feita com sucesso!






