Cinecartaz

José Miguel Costa

3 estrelas

Após o sucesso da crítica com o soberbo “Columbus” (2017), o cineasta norte-americano de ascendência sul-coreana, Kogonada, regressa aos grandes ecrãs com o seu segundo filme, "A Vida Depois de Yang".
Um melancólico drama sci-fi, cuja acção decorre num futuro indefinido, que explora a temática do "luto" numa familia multicultural de classe média (pai branco, mãe negra e filha adoptiva asiática) que se vê privada da companhia/apoio do seu andróide humanóide adolescente ("chinês"), decorrente de uma avaria electrónica.
Tal evento provocará uma tristeza profunda na pequena Mika, motivo pelo qual o seu progenitor tudo fará para tentar "ressuscitá-lo", algo que se revelará impossivel (por tratar-se de um equipamento anteriormente comprado em "segunda mão"). Todavia, durante esse processo descobre que o seu filho não humano possuia a capacidade de sentir.

Esta obra, apesar de "fofinha" (com uma envolvente atmosfera imersiva), manifesta um certo problema de ritmo, já que tudo soa a "demasiado ameno"/destituido de qualquer climax (inclusivé, ao nível das prestações dos protagonistas, Colin Farrell e Jodie Turner-Smith, que em momento algum alteram os baixos decibéis das suas respectivas vozes), pelo que acaba por destacar-se sobretudo enquanto produto visual (tal como "Columbus", independentemente deste seu mais recente trabalho se encontrar "muitos furos abaixo").
De facto, Kogonada constrói delicados quadros vivos (embora com uma coloração demasiado escura, excepto quando acedemos às memórias do robot), ambientados exclusivamente em espaços interiores, empurrando a Palavra para um plano de menor importância (o que não implica que a narrativa - simples e terna - seja de todo menosprezada, até porque esta se revela impreganada de requintadas subtilezas, disfarçadas de banalidades e "pequenos nadas").

Publicada a 13-05-2022 por José Miguel Costa