Cinecartaz

NF

Férias?

A primeira questão a colocar é a seguinte: reconheço que o planeta já tem mais de sete mil milhões de habitantes (7.000.000.000), mas uma família sueca escolher uma espécie de aldeamento de férias, à imagem dos existentes um pouco por todo o lado, para gáudio dos hoteleiros e operadores turísticos, com penalizações e agressões para o meio ambiente e ecológico é o primeiro reparo a fazer. Essa mesma família sueca poderia, por exemplo, visitar a "campagne française" e a sensação de claustrofobia e tédio estaria ausente. Ainda é, na Europa, uma hipótese de contactar a natureza. Digo isto por experiência própria. A primeira chamada do filme é para a mentira do turismo organizado que tudo destrói. É impossível que os seres humanos possam "desanuviar" em tais ambientes. Já não existem santuários de verdura e pureza para os humanos percepcionarem?

O filme faz-nos recordar e comparar o Algarve de há cinquenta anos e aquilo em que está transformado hoje. Dum paraíso intocado a um pesadelo urbanístico. A bem do turismo, "o nosso petróleo" como alguém disse.

Depois, a segunda questão é que, por tradição, compete ao homem a organização e comando da segurança do agregado familiar - pelo menos em termos físicos, como a situação da pretensa avalanche estava a sugerir pedir. Mas não temos a igualdade de géneros, ou a pretensão de esta mesma igualdade ser concretizada por inteiro ainda no presente século, pelo menos nas sociedades mais desenvolvidas?

Não há neste filme nada de Ingmar Bergman. Nada. Estamos muito longe do mestre sueco.

Qual é o problema de ver um gajo a chorar, por fragilidade e impotência de agir e comandar?

O comando do mundo deve ser entregue a quem melhor dê conta do recado e proporcione ganhos globais. Voilà. Que ideia grotesca é esta de relacionar a valentia e a heroicidade com o género masculino?

Estas lutas de género não me entusiasmam. Que se lixem os machos latinos.

Devemos é, talvez, estender esta análise da inter-solidariedade e da inter-confiança humana a outros campos. Não só ao campo familiar.

Achei o filme francamente interessante. Perante a miséria cinematográfica que nos invade, este filme faz-nos reflectir. Os filmes nórdicos têm sempre algo de especial. Com se vai notando também no campo literário.

4 em 5 estrelas.

Publicada a 13-05-2015 por NF