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Sylvia
Título Original
Sylvia
Realizado por
Elenco
Sinopse
"Sylvia" é a história da trágica relação entre Sylvia Plath e Ted Hughes, dois dos maiores poetas do século XX. O namoro começou em Cambridge e o filme segue os seus caminhos desde aí até ao casamento e à espiral que os levou à amargura, infidelidade, à violência e ao suícidio de Plath. Estes acontecimentos deram origem aos trabalhos mais extraordinários da poetisa, mas também geraram os problemas mentais que a levaram a pôr termo à vida com apenas 30 anos. O filme conta com as interpretações de Gwyneth Paltrow e Daniel Craig nos papéis de Plath e Hughes. PUBLICO.PT
Críticas Ípsilon
Críticas dos leitores
primavera, verão, outono, inverno...e primavera
Ananónima
Por todos os poros do filme transpiram indícios de feminismo, numa interpretação bem cozinhada com a natureza. Porque dá a entender que foi com ela que Sylvia verdadeiramente casou. A poesia, por desconhecimento prévio de uma ou outra técnica que a represente com justiça no universo comercial, mudou-se para a imagem fatiada do tempo andado pelos personagens, como um diário por exemplo. Está lá a árvore que é a vida e a morte de Sylvia, estão lá as estações do ano que levam e trazem Hughes a casa e depois, mais discretamente, os sonhos da protagonista à luz artificial. Fora isso temos um problema; o peso sufocante da biografia e as leis e os direitos de autor que, uma vez passados a pente fino no cinema, deixam pegadas que adivinham o crime da indústria. Paltrow está lá para hipnotizar aqueles que pela primeira vez ouvem o nome Sylvia Plath. Que mais é que ela podia fazer? O ideal sería não haver nehuma Sylvia, muito menos uma biografia com um final da história escrito no fim, como é hábito. Se assim fosse, nada havia para lhe apontar o dedo. Não sendo, o que é que sobra? Um melodrama de banda sonora cansativa e que, na minha opinião, se não existisse, à excepção da cena em que se vê num plano muito aproximado, Sylvia e o pequeno-almoço para Hughes, talvez ponderasse um maior realismo ao filme, na sua totalidade. Depois temos a eterna obsessão do mau da fita que, vá lá, se redime no fim, porque publica sobre a mulher ao fim de muitos anos de silêncio, mesmo antes de morrer. Ora, por muito bem intencionada que estivesse Christine Jeffs, é óbvio que tais premissas acabam por desfocar a primazia da atitude. Em duas horas e, que me lembre, não há nenhuma altura em que se possa VER a obra de Sylvia. Há uma madrugada em que Paltrow quase soletra a raiva do poema pai mas rapidamente essa mesma raiva se desarticula nas caretas de pasmo do personagem que se segue, depois de o ler. É que é mesmo a natureza quem monopoliza o papel principal. Volto à mesma porque não quero esquartejar o filme numa mão cheia de falhas. Há realmente qualquer coisa que fica e que parece rebuscar vestígios dos visados. Há a cena da morte, talvez pelo fim descortinado que já toda a gente previa e que até dá aso a certos momentos de suspense em que uma pessoa pensa para si «é agora que ela cede». Era escusado tanto pormenor. Que necessidade havia de vermos que ao matar-se, Sylvia não queria levar os filhos atrás, daí barricar-se na cozinha? Mas tudo bem, nada é perfeito. Volto mais uma vez à sequência das estações, cuja fotografia também ajuda; à manada de vacas espectadoras do recital ao ar livre, à estratégica posição da mesa, em frente à panorâmica, que acabou por resultar melhor na culinária, mas isso é outro aparte relativo às biografias que dão um filme...
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