Se Eu Tivesse Pernas Dava-te um Pontapé
Título Original
Realizado por
Elenco
Sinopse
Linda (Rose Byrne) é psicoterapeuta e esforça-se por dar o melhor de si aos seus pacientes. Numa tentativa de não ceder à ansiedade e perder o controlo da própria vida, divide-se entre os cuidados da filha – uma criança exigente, com vários problemas emocionais –, as pressões do quotidiano, agravadas pelo parco apoio de um marido (Christian Slater) quase sempre ausente, e as sessões com o seu próprio terapeuta (o apresentador e comediante Conan O’Brien), que se revela pouco atento às suas dificuldades. À medida que os dias se tornam cada vez mais exigentes, acompanhamos a forma como, lenta e inexoravelmente, Linda se encaminha para um agonizante colapso físico e psicológico.
Estreado no Festival de Cinema de Sundance (EUA) e em competição no 75.º Festival de Berlim, onde Byrne recebeu o Urso de Prata para melhor actriz, este drama é realizado por Mary Bronstein. Delaney Quinn, Danielle Macdonald, Christian Slater e A$AP Rocky completam o elenco. PÚBLICO
Críticas Ípsilon
Se Eu Tivesse Pernas Dava-te um Pontapé: os horrores da maternidade
O filme de Mary Bronstein não é para deitar fora, mas fica muito longe de cumprir aquilo a que se propõe.
Ler maisCríticas dos leitores
2 estrelas
José Miguel Costa
O filme "Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te um Pontapé", escrito e dirigido por Mary Bronstein, é um drama áspero, em modo comédia negra, que nos dá uma visão não romantizada da maternidade, escancarando um retrato cru (num tom algo surrealista) sobre o colapso emocional/fisico e a gradual erosão da identidade de uma mulher (em processo de quase auto-anulação) implicitamente obrigada pela sociedade patriarcal a gerir "com um sorriso nos lábios" os seus múltiplos papéis (mãe, amante, gestora doméstica e profissional - psicoterapeuta), sem atender às suas próprias "circunstâncias". Esta crónica de uma mulher à beira de um ataque de nervos é basicamente um estudo de personagem centrado na protagonista (encarnada por Rose Byrne) que experimenta um manancial de emoções (culpa, raiva, frustração, desespero, impotência, exaustão psíquica...) em consequência da rotina frenética que lhe exige disponibilidade absoluta para continuar a reagir às adversidades do quotidiano (a filha doente a precisar de complexos cuidados regulares; um marido ausente, mercê da sua actividade profissional; o colapso do tecto de casa, que implicou a mudança provisória para um hotel manhoso; o desaparecimento de uma paciente; a relação tóxica com o seu próprio terapeuta). Apesar do "power" injectado no filme pela Rose Byrne (cuja performance já lhe valeu o galardão de melhor actriz no Festival de Berlim, no Independent Spirit Awards e nos Globos de Ouro - sendo que poderá ainda arrecadar um óscar), este acaba por revelar-se entediante ao insistir ininterruptamente na mesma "tecla", como se a personagem e/ou a temática abordada não tivessem outras camadas para explorar. Acresce a opção de Bronstein por um registo dramático que enviesa o estabelecimento de uma relação empática com a "mártir" (e nem a opção formal por planos fechados com a sufocante câmara constantemente colada ao rosto da protagonista - por forma a não deixar escapar qualquer eventual expressão emocional - consegue contrariar tal evidência).
Envie-nos a sua crítica
Submissão feita com sucesso!






