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Onde Aterrar

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Comédia Dramática 75 min 2025 M/12 04/12/2025 EUA

Título Original

Sinopse

Joe Fulton (Bill Sage), realizador famoso já reformado, decide preencher a vaga de ajudante de jardineiro no cemitério local para ocupar o tempo e estar mais ao ar livre. Essa decisão inusitada, aliada às suas constantes reflexões sobre a morte e à redacção de um testamento, leva as pessoas que o amam a suspeitarem de que terá recebido o diagnóstico de uma doença terminal. A preocupação transforma-se em rumor e, rapidamente, passa a ser tomada como facto, levando amigos, familiares e conhecidos a prepararem-se para uma despedida antecipada.

Com argumento, produção e realização de Hal Hartley, este drama explora o luto antecipado e a inquietação humana perante a ideia da morte. Robert John Burke, Gia Crovatin, Jennifer Stepanyk e Jeremy Hendrik juntam-se ao elenco. PÚBLICO

Críticas Ípsilon

Em Onde Aterrar, Hal Hartley arruma a casa e começa outra vez

Luís Miguel Oliveira

Um “filme de velho”, essa coisa maravilhosa e em desuso.

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Críticas dos leitores

Onde Aterrar

Fernando Pimentel

Neste filme aterra-se num lugar sossegado. Numa espécie de corredor das almas em que a entrada em alguns quartos nos oferece momentos genuínos de contemplação e em que os outros, mais encaixados na narrativa, preparam esses momentos de soltura. Reduzem o que é material à sua pequena condição, para que o questionamento e o espiritual tomem conta do écran.

Há uma cena particular de que me lembro, porque diariamente se passa algo equivalente à minha porta. Nunca lhe atribuiria um significado para além do evidente. Vou à janela e é como se estivesse a ler um poema do realizador Hal Hartley. É também feliz que um filme menos movimentado não passe da hora e um quarto, sem por à prova a nossa capacidade de atenção. Passaram vários meses e ainda me lembro dele. Deve querer dizer alguma coisa.

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O Testamento

J.F. Vieira Pinto

É uma preocupação, ou deveria ser, a ideia de fazer um testamento. Aparentemente simples, mas não! E nada como uma advogada para definir regras na sua redação que, aparentemente inócuas em vida, podem ser problemáticas no pós morte. “Não tens filhos?” - pergunta a advogada. A resposta direta do cliente parece não ser assim tão óbvia.

Não desvendemos o mistério para não dar pistas ao espectador. Adiantemos apenas e só, que a advogada já se teria aproveitado da indiferença pelas questões monetárias do seu cliente (e amigo) para “exagerar” nos honorários cobrados. O que leva este homem - realizador -, a querer um emprego para sujar as mãos e, consequentemente chegar ao fim do dia cansado “fisicamente “? Temos a cena em que vemos Joe Fulton (Bill Sage) a pegar numa pá, nos instantes iniciais. Ficamos com a sensação de que teria muito a aprender. Só não sabemos se as funções de coveiro também estariam incluídas nas suas funções.

O pânico apodera-se da família mais próxima. Terá o nosso personagem uma doença terminal? E assim dá-se início a esta comédia de equívocos. Percepciona-se que é um filme com amigos e para amigos este “Onde Aterrar”.

A coisa não está fácil para o cinema independente norte-americano. O resultado final é o que é. Há que usar os recursos disponíveis - leia-se “money” -, o melhor possível. A própria banda sonora é composta por Hartley (q.b.) e com a ajuda inestimável (e barata) de Beethoven e Mahler.

Esta “longa“ de 75 minutos que, por estes dias, poder-se-á considerar “média” tendo em comparação obras como “O Brutalista” e mesmo “O Riso e a Faca”, filmes nada recomendáveis para doentes prostáticos. Hartley não necessita de mais tempo para nos contar uma história inquietante que a todos acontecerá nas fases mais ou menos “terminais" das nossas (efémeras) vidas.

Delicioso o trocadilho na cena com os youtubers e amantes de séries, Mick e Keith, sobre bandas de rock. Stones? Os “Roses”? Não! Quem (Who?) uns tipos cujo venda do vinyl resultou num bom negócio. Resumindo e para facilitar, Hal Hartley cita The Rolling Stones (os velhinhos); o fabuloso álbum “Exile on Main St., mas também os mais “recentes” Stone Roses” e claro os The Who. Frank Zappa, esse tem um tratamento especial: é citado no início como referência da idade da sua morte aos 52 anos, como exemplo de idade para o início de um testamento. Ainda expectei uma faixa de “Apostroph” mas não. Zappa ainda não chegou às trilhas sonoras nestes tempos de revivalismos. Fiquemos pela citação a um poema de Cat Stevens e basta. (****)

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