Lawrence da Arábia
Título Original
Lawrence of Arabia
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Elenco
Sinopse
Ver sessõesLawrence (Peter O''Toole) é um militar britânico que, em 1916, em plena I Guerra Mundial, é encarregue pelo governo do seu país de uma missão quase impossível: unificar as tribos árabes que vivem na zona que é hoje conhecida como Arábia Saudita, levando-as a combater o exército turco. Lawrence consegue de facto fazer-se respeitar pelos líderes árabes e quase se torna um deles.
"Lawrence da Arábia" é um filme épico baseado na autobiografia de T.E. Lawrence, intitulada "The Seven Pillars of Wisdom". Foi um dos maiores sucessos, tanto de público como de crítica, do cineasta britânico David Lean, autor de "A Ponte Sobre o Rio Kwai" e "A Filha de Ryan". A Academia de Hollywood nomeou-o, em 1963, para dez Óscares, dos quais conquistou sete: melhor filme, realizador, fotografia, banda sonora original, som, montagem e cenários. PÚBLICO
Críticas Ípsilon
Sessões
Críticas dos leitores
Lawrence da Arábia
Fernando Oliveira
É a quinta-essência daquele cinema com que os estúdios tentaram combater a alteração dos hábitos de consumo de imagens dos espectadores – por esta altura a televisão começava a substituir as idas ao cinema. A resposta foi produzir filmes com uma grandeza tal que fizessem sentido apenas numa sala de cinema, em ecrãs de tamanho também gigante. Filmes imensos em tudo, até na duração, épicas histórias de aventura e sentimentos grandiosos, narrativas, que tal como os lugares e os tempos, eram exóticas. E filmados, aproveitando os baixos custos de produção, em lugares fora dos EUA e naturais, fora dos cenários criados em estúdio. E realizadores importantes por lá passaram como Ray, Mann ou Mankiewicz. David Lean nunca foi um cineasta muito consensual e, no meu caso, pouco considerado talvez de forma um pouco injusta. Esta reputação deve-a essencialmente a alguns pastelões verdadeiramente insuportáveis que realizou: “A ponte do rio Kwai” e “Doutor Jivago” (reconheço que tenho uma boa memória de “A filha de Ryan” e “Passagem para a Índia”, filmes normalmente também não muito considerados). A verdade é que se começou a sua carreira quase como o homem que punha em imagens não apenas os argumentos mas, também, as ideias cinematográficas de Noel Coward – e alguns destes filmes são bastante interessantes: gosto bastante de “Sangue, suor e lágrimas” e “Uma mulher do outro mundo” – continuou a sua carreira com uma série de filmes de um classicismo sem mácula – “Breve encontro”, durante algum tempo considerado um dos melhores filmes de sempre, ou os dois filmes adaptando Dickens – que lhe deram um enorme prestígio, consagrado com o enorme sucesso de “A ponte do rio Kwai”. De todos os filmes desta “resposta” dos estúdios dois se destacam: “Cleópatra”, realizado por Mankiewicz em 1963 e este “Lawrence da Arábia”, de 1962; o primeiro porque usa essencialmente a força da palavra como definidora do caos emocional que o realizador nos mostra, sublinhando a força das convulsões da História; e este filme porque consegue conjugar intensamente a grandeza do ambiente e a importância dos acontecimentos históricos com o carácter do drama íntimo e a complexidade das escolhas do personagem principal – melhor, tanto um como o outro, fazem fluir os dois “lados” numa perfeita corrente narrativa e visual. Mas para esta escolha, que concilia o excesso épico e dramático dos acontecimentos com a “leitura” dos sentires da alma na força expressiva da representação, precisa de uma interpretação a roçar o sublime. Há muitos exemplos, mas Peter O'Toole; a interpretar T. E. Lawrence, oficial britânico que conseguiu unificar as tribos árabes numa revolta contra os turcos, com resultados decisivos na I Guerra Mundial; é extraordinário porque consegue “criar” aquele estranho agente de ligação entre o exército britânico e um príncipe árabe, como alguém que ao apaixonar-se pelo deserto e por quem lá viaja, perde quase todas as referências, e desperta outras, alguém que sente não pertencer a lado nenhum, mas alguém, lembrando as palavras do verdadeiro Lawrence, que sonhava acordado e por isso realizava os seus sonhos de olhos abertos, para os tornar possíveis. Porque se o deserto é o grande personagem do filme, é-o pela forma como os olhos de Lawrence, ou de O'Toole, o vêem. Como o deserto, a alma de Lawrence é um lugar solitário, que lhe vai secando a humanidade, naquela viagem até Damasco onde todas as ilusões são destruídas. Estes sentires de alma estão espelhados na forma absolutamente única com que David Lean os conjuga com as imagens do deserto em cenas absolutamente inesquecíveis, neste filme tão grandioso como magnífico.
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