Boa Sorte, Leo Grande

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Comédia Dramática 97 min 2022 29/09/2022 GB

Título Original

Nancy Stokes (Emma Thompson) é viúva e acabou de se reformar. Apesar de se sentir agradada com a sua existência, há algo que sente ter-lhe faltado: uma vida sexual satisfatória. Agora que não tem contas a ajustar com ninguém, decide vivenciar uma noite de sexo para se sentir verdadeiramente plena. Para isso, reserva um quarto de hotel e contrata um profissional à altura das circunstâncias. É assim que conhece Leo Grande (Daryl McCormack), um jovem que, para além de talentoso na sua arte, é atencioso e gentil na forma como a ensina a libertar-se dos preconceitos. Entre estes dois desconhecidos surge uma ligação inesperada com total entendimento e aprendizagem, algo que se vai revelar extraordinariamente libertador.
Estreada no Festival de Cinema de Sundance (EUA), uma comédia realizada pela australiana Sophie Hyde (“52 Tuesdays”, “Animals”), segundo um argumento original de Katy Brand. PÚBLICO

Críticas Ípsilon

Emma Thompson em busca do orgasmo perdido

Jorge Mourinha

Dois actores em estado de graça elevam ao patamar superior o que poderia ficar-se por um telefilme de qualidade britânica.

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Críticas dos leitores

4 estrelas

José Miguel Costa

Um só cenário (um quarto de hotel) e dois actores (Emma Thompson e Daryl McCormack) foi mais que suficiente para a realizadora Sophie Hyde construir uma intimista comédia dramática de excepção, "Boa Sorte, Leo Grande". Facto tão mais valoroso se considerarmos que tem por base uma simples história (ilusoriamente) cliché (uma viúva de meia idade, algo tradicional - sem experiência sexual, para além da básica "posição de missionário", que nunca lhe deu direito a qualquer orgasmo -, num devaneio, contrata um intrigante jovem prostituto de luxo, mas logo no instante do seu encontro é invadida por uma série de bloqueios morais e éticos). Do confronto de dois mundos/modos de vida antagónicos (e repletos de contradições não assumidas) eclodem refinados diálogos reflexivos (quase terapêuticos), impregnados de humor e dramaticidade na mesma proporção, sobre carências emocionais de natureza diversa e questões sociais (nomeadamente, a exploração do trabalho sexual e o papel da mulher numa sociedade patriarcal). A química emanada na interacção destes dois protagonistas é assombrosa (e mesmo conhecendo os créditos da Emma Thompson, não deixamos de surpreender-nos com as desinibições manifestadas por esta "mulher madura"; bem como acabamos rendidos perante o carisma, e inteligência performativa de McCormack, que jamais se intimida por contracenar "face to face" com um monstro consagrado da sétima arte).

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