Fogo do Vento
Título Original
Realizado por
Elenco
Sinopse
Ver sessõesDurante uma vindima, Soraia, uma jovem trabalhadora do Alentejo, fere a mão. As gotas do seu sangue misturam-se com o vinho e, a partir daí, começa a ser perseguida por um touro. Amedrontados, os trabalhadores juntam-se e refugiam-se nos sobreiros. Nas suas copas, forma-se uma comunidade improvisada onde se trocam experiências e desabafos sobre a guerra, o trabalho e a família.
Interpretado por actores não-profissionais da região de Estremoz, um filme que usa elementos do quotidiano e do imaginário colectivo para representar diferentes gerações marcadas pela ditadura e pela revolução de Abril.
Rodado ao longo de quatro anos, tem realização, argumento, montagem e produção de Marta Mateus, em co-produção com Pedro Costa, que regressa ao Alentejo e às comunidades já presentes na sua curta-metragem "Farpões, Baldios" (2017), apresentada na Quinzena dos Cineastas em Cannes.
Exibido em competição no Festival de Locarno, Fogo do Vento conquistou o Prémio Especial do Júri no Avant-Garde Film Festival de Atenas (Grécia), o Prémio Especial do Júri FIPRESCI no Festival de Gijón (Espanha) e ainda o prémio de Melhor Realização no Festival Caminhos do Cinema Português.
PÚBLICO
Sessões
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Casa do Cinema de Coimbra, Coimbra
16h45
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Auditório Salgado Zenha, Coimbra
18h (com legendas em inglês)
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Casa do Cinema de Coimbra, Coimbra
16h45
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Auditório Salgado Zenha, Coimbra
18h (com legendas em inglês)
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Críticas dos leitores
Fogo do vento
Fernando Oliveira
Uma vinha durante a vindima, uma jovem corta-se com a tesoura de podar, o sangue suja o chão e as parras, mistura-se com o vinho (?), depois da jornada os trabalhadores são perseguidos por um touro desembestado, fogem para a copa dos sobreiros. Aqueles homens e aquelas mulheres (todos não-actores) vão partilhando histórias e o pão, vão mandando bocas. E depois do dia vem a noite. Tudo isto nos é mostrado num realismo muito limpo e muito bonito, na forma como capta a luz do Sol e o luar, que “atravessam” e reflectem por entre as árvores.
Depois o filme suspende o tempo e o espaço. Ou seja o tempo tanto é agora, como o antes 25 de Abril, o tempo da Primeira Grande Guerra ou o século XIX, porque a história do filme extravasa aqueles personagens e começam a aparecer gente doutros lugares e doutros tempos. Todos continuam a dizer coisas com mais ou menos sentido, quase sempre ditas de uma forma bastante artificial. Ditos sobre a relação entre os trabalhadores e aqueles que os exploram, histórias como aquelas que as nossas avós nos contavam.
Ou seja, Marta Mateus contrapõe ao luminoso realismo dos cenários (trabalhado, é claro, foi preciso muito tempo para “encontrar” e encenar aquelas imagens, “enquadrar” aquela luz) a uma teatralidade das palavras que, a mim, me deixou desconfortável.
Percebo que a realizadora nos queira mostrar que as vivências do trabalho (o trabalho na terra como a única forma de subsistir) foram sempre sujeitas a uma exploração pelos patrões, coisa que nenhuma revolução conseguiu alterar, mas a artificialidade exagerada, mesmo encenada num mundo tão belo e cheio de simbolismo (os sobreiros, tal como as histórias, e tal como outros filmes que nos vêm à cabeça enquanto vemos este, são árvores que vêm lá de trás; ou o touro que “representará” os outros, os que perseguem – hoje, segundo a realizadora, seria o Ventura, grande parte dos actores são de um bairro cigano dos arredores de Estremoz), torna o filme aborrecido.
Concluo, é pena que um filme tão bonito seja assim: aborrecido. Mas é verdade que sendo um filme que julgo “falhado”, não me “larga”. Talvez não o seja. (em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.com")
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