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Doce Tortura

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Acção, Drama 120 min 2005 02/03/2006 Coreia do Sul, EUA

Título Original

A Bittersweet Life

Sinopse

Sun-Woo, perito em artes marciais, trabalha para um poderoso chefe da máfia sul-coreana, Kang. Quando este descobre que a namorada lhe é infiel, contrata Sun-Woo para "tratar dela". Mas ele não consegue cumprir a sua missão, o que provoca a ira de Kang e o torna num alvo a abater.

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Gonçalo Sá - http://gonn1000.blogspot.com

À semelhança dos seus conterrâneos Kim Ki-duk ou Park Chan-Wook, Kim Jae-woon é um dos realizadores que, nos últimos anos, mais tem contribuído para a divulgação do cinema sul-coreano além-fronteiras, como o atesta, sobretudo, “A Tale of Two Sisters”, de 2003, o seu filme mais mediático e aclamado. “Doce Tortura” (Dalkomhan insaeng / A Bittersweet Life) é outro título que o coloca na lista de cineastas orientais do momento, uma história amarga sobre os dilemas de um reputado guarda-costas que não olha a meios para atingir os fins mas cujo profissionalismo é posto em causa quando se apaixona pela namorada do patrão, que se comprometeu a seguir e proteger.<BR/><BR/>À medida que vigia e interage com a cativante Heesoo, o frio e austero Sun-Woo toma contacto com as suas emoções, até então reprimidas, e não consegue matar a jovem quando descobre que esta trai o seu patrão com um amante. Tal atitude não passa despercebida perante o seu chefe e colegas e torna o protagonista num alvo a abater, despoletando uma espiral de tensão, perseguições, desilusões e algum sadismo.<BR/><BR/>Embora o ponto de partida do filme possa parecer simplista, Kim Jae-woon sabe como construir um vibrante retrato de sangue, suor e lágrimas, valendo-se de personagens que, sem fugirem muito aos estereótipos, são adequadas e razoavelmente trabalhadas, mas convencendo especialmente pela impressionante energia visual que insere tanto nas sequências de acção (e são muitas e bem coreografadas) como nas mais introspectivas e pausadas (relevantes para a exploração do conflito emocional de Sun-Woo).<BR/><BR/>Conciliando traços do thriller, film noir ou mesmo western, “Doce Tortura” nem sempre se desenvolve de forma interessante – a primeira das duas horas falha em conseguir envolver a espaços -, mas possui cenas muito inspiradas, como as do massacre do protagonista por parte de uma dezena de antagonistas, filmadas com um arrojo e um nervosismo de tirar o fôlego, assim como as do portentoso desenlace, outro requintado concentrado de energia cinética.<BR/><BR/>A acentuada estilização da violência tanto se aproxima da saga “Kill Bill - A Vingança”, de Quentin Tarantino, da trilogia “Infiltrados”, de Andrew Lau e Alan Mak, ou de “Oldboy – Velho Amigo”, de Park Chan-Wook, ainda que “Doce Tortura” contenha méritos próprios e consiga valer por si, fruto da criatividade da câmara de Jae-woon, das não menos hipnóticas fotografia e banda-sonora e do carisma do actor principal, Lee Byung-heon. O balanço é assim positivo e saúda-se esta boa surpresa vinda do cada vez mais profícuo cinema oriental.<BR/><BR/>Nota: 3/5 - Bom.
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