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Diamantino

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Fantasia, Comédia 96 min 2018 04/04/2019 POR

Título Original

Sinopse

Diamantino, exímio jogador de futebol, é uma estrela mundial conhecida não só pelo seu talento, mas também por dois ingredientes que se misturam em doses iguais: ingenuidade e ignorância. Um dia, depois de um episódio que o deixa profundamente abalado, perde a desenvoltura em campo e vê a sua carreira terminar abruptamente.

É assim que, em busca de um novo propósito para a vida, se depara com assuntos sobre os quais nunca antes tinha refectido – entre eles, a crise dos refugiados, o neofascismo e a manipulação genética.
 
Estreado no Festival de Cinema de Cannes, onde arrecadou o Grande Prémio da Semana da Crítica e o Palm Dog Award (melhor actuação canina num filme), uma comédia dramática com a assinatura de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, a dupla também responsável por "A History of Mutual Respect" (2010) e "Palácios de Pena" (2011). Com Carloto Cotta como protagonista, este filme conta também com Cleo Tavares, Anabela Moreira, Margarida Moreira, Carla Maciel, Filipe Vargas, Manuela Moura Guedes, Joana Barrios e Maria Leite, entre outros. PÚBLICO

Críticas Ípsilon

O menino na mão das bruxas

Jorge Mourinha

Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt passam à longa com uma comédia de enganos clássica dobrada de pastiche de espionagem série Z; é um filme de maturidade que ainda tem qualquer coisa de imaturo

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Críticas dos leitores

Intuições sobre o género do futebolista (spoiler)

António Sá

"Intuições sobre o género do futebolista [a propósito do filme “Diamantino”]" <br /> <br />»»»»» Na fantasia entre o kitsch e o naïf que instituem a manipulação da imagem, a definição das personagens e a intrincada trama do filme Diamantino, nome do futebolista que o protagoniza, há um núcleo que creio decorrer de uma intuição de autor, núcleo modulado que compreende: a assexualidade do protagonista; e, no decurso narrativo, a mutação de género que lhe acontece. Abordo a seguir, quanto a este pouco identificável artefacto de título Diamantino (Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, 2018), os dois aspectos assinalados: <br />»»»»» 1. Assexualidade é “estilo de vida” que decorre do retrato-em-acção do futebolista. Além de ter visões, quando em campo, de enormes cãezinhos de peluche que o submergem, índice simbólico do estádio mental em que ancorou, estádio de infantil autoconforto, o no entanto superdotado futebolista relaciona-se tão-só com uma teia sucinta de familiares próximos: o pai, figura para ele de referência, que entretanto morre de colapso cardíaco, quando o filho falha um penálti decisivo; e duas irmãs gémeas, decerto inspiradas em personagens-caricatura do cineasta Pedro Almodóvar, as quais terão papel de relevo na descosida intriga, ou intrigas cruzadas, do filme. Estas três figuras próximas a Diamantino passeiam com ele no iate, e com ele coabitam a mansão que os seus proventos largamente admitem. Mais tarde no entrecho, será vítima insciente das manas gémeas, que se dedicam a apropriar-se dos milhões do mano milionário, desviando-os para um off-shore. Além de tal maldade, estas megeras frívolas e gananciosas, pequenas bruxas cujos discursos são básicos e basicamente constituídos por enormidades e palavrões, insultando o irmão despudoradamente, incluindo o epíteto de “paneleiro” — exercem sobre ele uma intempestiva violência doméstica, que não se exime à agressão física. No entanto, Diamantino é de tão boa natureza que as desculpa e considera, na aparência sem ressentimentos. A estes membros da família, vem juntar-se um equívoco “refugiado”, que não o é: trata-se de uma agente policial infiltrada, que Diamantino acolhe candidamente enquanto “filho adoptivo”. São assim estes familiares que o preenchem, não se lhe conhecendo qualquer relação de natureza sentimental ou sexual. Tal falha, situando-o em zona de assexualidade, vem a ser expressamente confirmada num diálogo cândido com o dito “filho adoptivo”, quando revela que nunca fez sexo na vida, e acrescenta: “mas deve ser uma coisa muito fixe”. <br />»»»»»»»»»» 2. A mutação física que involuntariamente lhe vai ocorrendo, e lhe suscita vergonha quando tem de despir a camisola para a filmagem de um spot publicitário, é o crescimento de seios, mamilos protuberantes, no lugar onde antes estavam os definidos peitorais de atleta. A razão disto é hormonal, segundo informação de uma geneticista italiana. Quem seja esta, é um dos desacatos da intriga em estado de delírio, em que o filme se funda. Em síntese: as manas megeras, inquinadas em bruxarias de vanguarda, contratam esta geneticista italiana, de artes equivocamente hipertecnológico-mágicas, para clonar em muitos outros o futebolista de génio, dando assim lugar a uma equipa imbatível, e para esta experiência o submete a um choque hormonal. Na ideia delas, este seria um meio de multiplicar os ganhos, explorando as qualidades atléticas do mano. Ideia delirante, a delas e a dos autores do filme, mas que propicia essa imagem tendencialmente hermafrodita de um homem, já de si de uma aerodinâmica física e de uma assexualidade “suspeitas”. <br />»»»»» O filme constrói assim uma intuição: a de um submerso hermafroditismo de expressão sexual neutra, mas que reúna a excelência de um e outro géneros sexuais, resultando numa capacidade performativa superior. Subjaz a esta intuição o persistente mito do hermafrodita. E acrescente-se que não pode nenhum vivente humano viver, ou seja, organizar modos de vida, sem os mitos, distinguindo que mito não é religião, sendo os mitos necessidade mental estruturante da nossa condição humana. <br />António Sá <br />[09.04,2019 / 18.04.2018]
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Decepção

Maria Salgado

Onde esta a comédia? <br />Nunca sai da banalidade. Inverosimelhança, ridículo e nem assim tem piada. <br />Drama? Também não. <br />Aguentei o filme todo porque por norma o faço, mas com dificuldade.
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Decepção

Abominável José Neves

Estava à espera de algo muito melhor. Fala-se muito por ser sobre o Ronaldo, mas depois não há comédia, só uma certa ordinarice de diálogo e situação. Alguns actores vão muito mal, mas também há quem esteja bem. As irmãs Moreira são hilariantes mas não apenas estão subaproveitadas como o filme não as distingue. Carloto Cotta está muito bem nas partes dramáticas e muito perdido nas cómicas. Maria Leite está convincente mas sem flutuação. <br />Cleo Tavares é o elemento mais desequilibrante, quase sempre perdida nas cenas. Acima de tudo o filme falha porque não somos nunca capazes de nos identificar com Diamantino, o idiota que ninguém quer ser e que ninguém admira ao ponto de querer salvar.
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Engano

Bernardo Vaz de Castro

Case study: se a Maria Leal fosse a Cannes (ou seja, se caísse numa meca artística que não lhe conhece o contexto) e tivesse uma boa maquina de marketing, ia acabar vista como uma entertainer camp que reflecte com caricatura o estado de decadência da cultura ibérica num momento em que historicamente parecemos ter virado as páginas da barbarie. Este filme modesto propõe a mesma fórmula. Xarope de tugalidade para Francês ver. Mas depois é só isso.
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E é só isto?

Ricky Teixeira

Pelos vistos basta dar umas entrevistas a citar Voltaire e Wagner e eis-nos perante um produto de primeira água. O filme é medíocre e boçal, pouco mais do que uma versão queer daqueles subprodutos nacionais que vão surgindo em sala.
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4 estrelas

José Miguel Costa

Diamantino", a primeira longa-metragem da dupla Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt (num registo dispar – e mais leve – daquele a que nos habituaram nas suas anteriores curtas), revela-se como um cocktail de géneros (comédia politica, ficção cientifica e triller policial filmado em modo “tosco”/aparentemente amador de quase série B ) unidos por um humor non sense e psicótico, que jamais tem receio de cair no ridículo. <br /> <br />Embora se assuma como uma ficção não biográfica, é notório que estamos em presença de uma parábola (depreciativa) ao Cristiano Ronaldo (não só pelo teor da sua narrativa, mas também pela escolha do protagonista, um quase sósia do madeirense – o divinal Carloto Cotta) e, através desta constitui-se, igualmente, como uma metáfora sociopolítica a Portugal (e até ao mundo ocidental em geral, já que as temáticas alvo de critica satírica são-lhes transversais). <br /> <br />É, sem dúvida , um obra hilariante e dotada de um ritmo electrizante (pelo menos na sua fase inicial, já que com o desenrolar da acção vai perdendo algum fulgor, devido à repetição excessiva de algumas situações), imperdível para espectadores com open mind.
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Um marco no cinema "português"

Pedro

Cruzamento de Fellini, Lynch e a sátira do Bruno Aleixo, é um dos mais divertidos e simultaneamente inteligentes filmes que tenho visto em anos de espectador de cinema. E um risco, a forma como enxovalha a religião contemporânea do Ocidente: o futebol. E como o relaciona com o crescimento da extrema-direita. E a sociedade do espactáculo. E o ridículo culto tecnológico-canídeo dos dias de hoje. Não tem pontos fracos, nem intérpretes mais frouxos, ou planos ou sequências que nos façam torcer o nariz (falo por mim, claro). Certamente, haverá sempre quem fique ofendido: má sátira é aquela que agrada a gregos e a troianos. Algumas imagens são cinema de primeira. Tentarei ver no cinema todas as vezes que puder, antes que o previsível desinteresse do zépovinho tire este grande, grande filme do cartaz. Ah, a interpretação do Carloto Cotta é DESLUMBRANTE. Nem o próprio Cristiano Ronaldo gozaria tão bem consigo próprio a fazer de si mesmo...
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