Cartas Amarelas
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Sinopse
Ver sessõesSem que lhes sejam explicadas as verdadeiras razões, o casal Aziz e Derya recebe “cartas amarelas”, uma notificação oficial enviada pelas autoridades turcas a quem ousa contestar o regime. Ele, professor universitário e dramaturgo, é suspenso e vê a sua peça ser retirada de cena; ela, uma actriz consagrada, é despedida do teatro estatal onde trabalha.
Dando-se conta da situação delicada e perigosa em que se encontram, os dois decidem deixar tudo o que construíram em Ancara e partir com a filha adolescente para Istambul, onde vivem os pais dele. Mas a pressão e a forma como cada um lida com o problema vão abrir fissuras na relação de ambos.
Urso de Ouro na edição de 2026 do Festival Internacional de Cinema de Berlim, este drama tem realização do cineasta turco-alemão Ilker Çatak (o responsável por “A Sala dos Professores”, nomeado para o Óscar de melhor filme internacional em 2024), a partir de um argumento seu, de Ayda Meryem Çatak (sua mulher) e de Enis Köstepen. “Cartas Amarelas” conta com as actuações de Özgü Namal, Tansu Biçer, Leyla Smyrna Cabas, İpek Bilgin, Şiir Eloğlu, Eray Egilmez, Yusuf Akgün, Kerem Can, Aziz Çapkurt e Emre Bakar.
PÚBLICO
Sessões
Críticas dos leitores
4 estrelas
José Miguel Costa
Três anos depois do magnifico filme "A Sala de Professores" o realizador germano-turco Ilker Çatak regressa aos grandes ecrãs com "Cartas Amarelas" (Urso de Ouro do Festival de Berlim), um mix de drama familiar e thriller politico que expõe as pressões/perseguições levadas a cabo pelo regime autocrático turco aos sectores da cultura que ousem expressar livremente, e em público, qualquer critica (mesmo que soft e/ou construtiva) que alegadamente vise o ominipresente "Estado".
Apesar de possuir uma narrativa convencional (marcadamente cronológica, linear e descritiva) e pouco original ao nível do seu conteúdo, agiganta-se graças à gradativa tensão dramatúrgica que emana.
Acresce a apelativa ambiguidade dos seus protagonistas ("carregados" de contradições ideológicas e até éticas), que jamais nos são impingidos como meros mártires passivos da arbitrária repressão do pensamento (afastando, desse modo, a - sempre confortável - tentação de enveredar pela via do básico panfletarismo de denúncia).
No centro do enredo encontra-se um casal de intelectuais da burguesia artística de Ankara (ele dramaturgo e professor universitário, ela uma conceituada actriz) que inesperadamente se vê cancelado pelo Sistema (aquando da estreia da sua peça de teatro), pelo simples acto de delito de opinião.
Por consequência ambos recebem a temida "carta amarela" (enviada a quem é suspeito de actividades subversivas) que implica despedimento imediato. Tal obrigá-los-á a redefinir o seu estilo de vida (e inclusivé mudar de espaço geográfico, rumo a Istambul, onde irão viver com a progenitora de um deles), todavia, não fazem qualquer pretensão de vergar-se aos desígnios do inimigo.
Perante o stress financeiro manter-se-ão coesos no matrimónio e "firmes e hirtos" na defesa dos seus ideais? Pois ... @jmikecosta
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