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Cão Preto

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Drama, Thriller 116 min 2024 M/14 10/04/2025 China

Título Original

Sinopse

O ano é 2008. Após cumprir uma longa pena de prisão, Lang Yonghui (o actor, cantor e modelo Eddie Peng) regressa à cidade natal, situada no noroeste da China. Nesses anos em que esteve ausente, a pobreza devastou o local, levando os habitantes a abandonar a região e a deixar para trás os seus cães. Com os Jogos Olímpicos prestes a acontecer em Pequim e o Governo determinado a limpar o país, Lang encontra trabalho como caçador de cães vadios.

Durante uma das capturas, é mordido por um galgo preto, que alguns acreditam estar infectado com raiva. Para despistar a doença, Lang decide permanecer próximo do animal, observando o seu comportamento para perceber se terá contraído raiva. Contra todas as expectativas, os dois tornam-se inseparáveis.

Estreado no Festival de Cinema de Cannes, onde foi distinguido com o prémio "Un Certain Regard", este drama é realizado pelo chinês Guan Hu, que também assina o argumento, em colaboração com Rui Ge e Bing Wu. PÚBLICO

Críticas Ípsilon

Cão Preto: Pink Floyd, homens e cães num grande filme

Luís Miguel Oliveira

Excelente cinema chinês de volta às salas de cinema portuguesas.

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Críticas dos leitores

Cão preto

Fernando Oliveira

Começa como um western: uma planície árida do deserto de Gobi, montanhas ao fundo, a paisagem e o céu pintados por cores com tons de cinzentos e azúis escuros. Uma estrada de terra onde circula um pequeno autocarro, depois a câmara vira-se para a direita e vemos uma enorme matilha de cães de todas as raças e tamanhos que partem à desfilada pela encosta fazendo capotar o veículo. Um dos homens que nele viagem acaba de sair da prisão em liberdade condicional, era músico e uma celebridade na cidade próxima, esteve envolvido na morte de um homem.

Outra vez as memórias do western: uma cidade fantasma, abandonada e suja, uma ruína física e social. Nas vésperas dos Jogos Olímpicos de 2008, a China cresce e transforma-se, naquela cidade ficaram os mais velhos, os rejeitados. E os cães. Aqui o filme muda, o olhar de Guan Hu lembra-nos o Cinema de Jia Zhang-ke (que é actor neste filme), passa a ser o olhar sobre os absurdos e os paradoxos do desenvolvimento económico, para aqueles que ficam para trás.

Lang, é o nome do homem, arranja emprego a capturar cães, é um homem silencioso, que ergue uma “parede” na sua relação com os outros: um amigo da sua antiga banda, uma rapariga do circo que é uma hipótese de namorada, o pai que sozinho vai alimentando os animais do Zoo abandonado, a família do homem que morreu e que quer vingança. E há um cão preto, agressivo – há um prémio para quem o capturar, diz-se que tem raiva – e esquálido. Lang captura-o e fica com ele, dois solitários tornam-se amigos.

Tal como o homem, “Cão preto” é um filme de silêncios, mas imageticamente poderoso, um desenho cruel mas com algumas pinceladas de comédia azeda, sobre uma cidade e um homem “perdido”, que se reencontra numa amizade improvável. Um filme que se deixa encharcar pelo absurdo, no final, quando toda a gente abandona a cidade para, nas montanhas próximas, ver um eclipse, os animais tomam conta da cidade.

E novamente o western: no final Lang parte (?) na sua mota rumo ao horizonte. Mas não vai só… Deixa-nos angustiados, mas também nos faz sorrir, este filme tão triste quanto belo. (em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.com)

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O acontecimentos cinematográfico dos presentes anos.

Rui Ramos

Escrever sobre este filme é muito difícil porque daria uma livraria de tão simples e ao mesmo complexo. O sentido, o caminho do filme é “seguir em frente nem que tenha que domesticar este vadio cão preto”.

O regresso à sua cidade faz de um homem um forasteiro, um procurado e ameaçado assim como uma espécie de salvador. Mas o filme nada tem de salvação. A narrativa surge atras do imprevisto, do espontâneo, enfim da vida como ela é: imprevista. Mesmo a China “planeada como economia” tropeça na vida espontânea e não escapa a essa imprevisibilidade. So seguindo em frente e que escapamos ao inopinado. Profundo e belo. O acontecimento do ano.

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Cão Preto

Natalina Maria Ferreira Luz Porto

Sublime!

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5 estrelas

José Miguel Costa

O filme "Cão Preto" (vencedor da secção Un Certain Regard do Festival Cannes), dirigido por Guan Hu, é uma espécie de parábola sobre a redenção e reinvenção pessoal, tendo por base a lacónica e tocante história da sólida conexão criada entre um jovem adulto anti-social (parco em palavras, apático e sem motivação para reconectar-se com a comunidade) e um cão feroz abandonado.

Um drama contundente que, socorrendo-se de um realismo social "agreste" (pontuado por um surrealista humor negro) e de uma ambiência de "western asiático", nos transporta, em vésperas dos Jogos Olímpicos de Pequim (2008), até uma decrépita e despovoada cidade (em processo de desmantelamento, por parte do Estado, para dar lugar a um complexo industrial) situada no árido noroeste da China, para apresentar-nos o enigmático Lang (divinamente interpretado por Eddie Pang), Lang, antigo membro de uma extinta banda rock e reconhecido motociclista, retorna à terra natal, após cumprir uma pena de 10 anos de prisão por homicídio.

Sozinho numa casa prestes a ser demolida (o pai alcoólico, com o qual se encontra incompatibilizado, vive num antigo zoo), e sem qualquer meio de subsistência, é recrutado, contra a sua vontade (no âmbito do programa de "reinserção social"), para exercer a função de "recolector" de cães vadios (que assumiram uma dimensão de praga, após terem sido abandonados pelos antigos donos, aquando do seu realojamento).

Entre os caninos, há um que é alvo de busca intensa, tanto pelo seu grau de ferocidade como por alegadamente estar infectado com raiva. Aquando da captura este morde o "anti-herói", o que implica que ambos acabem por cumprir um período de quarentena, partilhando o mesmo espaço físico.

E a partir daí esta improvável dupla de "excluídos" cria um vinculo inquebrável. Esta obra, superlativa em diversas dimensões, destaca-se sobretudo enquanto colosso visual, ao conseguir extrair uma beleza quase mística dos banais cenários de ruínas e desolação.

Os seus grandes planos das vastas paisagens desérticas de aspecto "alienígena", filmadas em cinemascope, são de cortar a respiração.

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