Alma Viva

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Drama 85 min 2022 M/14 03/11/2022 FRA, BEL, POR

Título Original

Alma Viva

Sinopse

Desde sempre que a pequena Salomé, filha de emigrantes portugueses em França, passa as férias de Verão na aldeia da sua família, em Trás-os-Montes. Ela e a avó, tida como bruxa pelos outros habitantes da aldeia, têm uma ligação muito próxima. Mas quando a velha senhora morre subitamente ao seu lado, a menina começa a sentir o espírito dela dentro de si e quase mata uma das vizinhas, que julga ser responsável pela sua morte.
Produzido pela Midas Filmes em co-produção com França e Bélgica, e estreado na Semana da Crítica, do Festival de Cinema de Cannes, “Alma Viva” marca a estreia em realização de longa-metragem da luso-descendente Cristèle Alves Meira – já conhecida pelas curtas “Campo de Víboras” (2016) e “Invisível Herói” (2019), ambas estreadas em Cannes. A história, apesar de ficcional, contém diversos elementos biográficos e tenta fazer um retrato da cultura transmontana através dos olhos de uma criança. Filmado, durante o Verão de 2021, em Junqueira, no concelho de Vimioso (de onde é originária parte da família de Cristèle), este drama conta com as actuações de Ana Padrão, Lua Michel (filha da realizadora), Pedro Lacerda, Valdemar Santos e vários actores não profissionais, residentes na localidade. PÚBLICO

Críticas dos leitores

4 estrelas

José Miguel Costa

"Alma Viva”, primeira longa-metragem da luso-francesa Cristèle Alves Meira (produzida pela Midas Filmes em coprodução com França e Bélgica), que teve honras de exibição na Semana da Critica do Festival de Cannes, é o nosso candidato ao Óscar de melhor filme estrangeiro de 2023. Filmada na integra na aldeia transmontana da sua avó materna e na qual os próprios habitantes participam como não-actores (reforçando, desse modo, o seu forte cariz documental), vagueia (deliciosamente) entre naturalismo e o realismo mágico, introduzindo com eficácia elementos e códigos de vários géneros cinematográficos, nomeadamente o suspense e o terror psicológico (polvilhado com apontamentos de humor que aliviam a tensão, impedindo que descambe num qualquer excesso melodramático). Conta a história (algo biográfica, de acordo com o expresso pela própria realizadora) de uma criança emigrada em França, Salomé (interpretada por Lua Michel, que carrega o filme às costas, arrebatando-nos do primeiro ao último minuto), que no habitual regresso a Portugal para as férias de verão, se vê confrontada com a morte repentina da avó, com quem mantinha uma forte ligação. Por consequência, durante os preparativos para o funeral esta passa a ser assombrada pela falecida (que era percepcionada na comunidade como bruxa, sobretudo depois de ter "roubado" o marido a uma vizinha). E está assim montado o alicerce de um enredo que evoca as temáticas da interioridade, emigração e misticismos, num hilariante mix "antropólogico kitsch". Realce-se o notável trabalho de fotografia de Rui Poças.

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