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A Cronologia da Água

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Drama 128 min 2025 M/14 22/01/2026 FRA, EUA

Título Original

The Chronology of Water

Adaptação ao grande ecrã da autobiografia homónima da norte-americana Lidia Yuknavitch, este filme assinala a estreia de Kristen Stewart na realização em longa-metragem, assumindo igualmente a escrita do argumento em parceria com Andy Mingo. A história acompanha uma mulher marcada por uma infância de violência física e psicológica e por uma juventude entregue ao abuso de álcool e drogas, experiências que acabariam por moldar tanto a sua identidade como a sua forma de escrever.

É na escrita, que funciona como catarse, que Lidia encontra uma forma de expurgar os fantasmas do passado e dar sentido à sua existência. Com o tempo e com o apoio do marido, inicia um processo lento de reconstrução pessoal que lhe oferece a possibilidade de redenção.

Estreado na edição de 2025 do Festival de Cinema de Cannes, e com Ridley Scott como produtor executivo, este drama biográfico tem Imogen Poots no papel principal e Thora Birch, Susannah Flood, Tom Sturridge, Kim Gordon, Michael Epp, Earl Cave, Esmé Creed-Miles e Jim Belushi nos secundários. PÚBLICO

Críticas Ípsilon

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Jorge Mourinha

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Críticas dos leitores

4 estrelas

José Miguel Costa

Estreada na secção Un Certain Regard do Festival de Cannes, “A Cronologia da Água” assinala a primeira incursão da actriz Kristen Stewart na realização (e escrita) de uma longa-metragem. Uma adaptação do livro autobiográfico homónimo da escritora Lidia Yuknavitch que, apesar de um passado auto-destrutivo e desregrado marcado pelo abuso sexual continuado por parte do pai (com alheamento materno) e consequente uso substâncias ilícitas (que hipotecou a sua carreira de nadadora olímpica), conseguiu expiar (ou minorar) os seus traumas através do uso catártico da Palavra escrita.

E fê-lo de um modo quase obsceno, expondo, sem qualquer pudor, os seus fantasmas e vivências pessoais intimas. Esta espécie de "conto" coming of age, recusa o caminho fácil do drama edificante sobre dor e superação, arriscando o mergulho numa psicótica hipérbole estilística (provavelmente, como metáfora do estado de -in-consciência da protagonista em busca da sua "identidade"), a que acresce a opção por uma caótica narrativa fragmentada (numa sucessão frenética de cenas de curtíssima duração) e não linear (com frequentes avanços e recuos temporais) para dar-nos a conhecer o seu inquietante mosaico de lembranças (sob a forma de flashes, sonhos, "realidade aumentada" e devaneios intelectuais sussurrados por narração em off).

Filmada em película de 16 mm com formato 3:4, faz uso praticamente exclusivo de close-ups extremos quase sem campo (como se aquilo que é "exterior" à personagem - interpretada por uma excepcional Imogen Potts - não existisse) "pintados" de berrantes cores quentes (e saturados de granulação). O que o transforma num filme profundamente sensorial (um autêntico frenesim visual destinado a ser amado ou odiado - por certo, não haverá um "meio termo" entre os espectadores) @jmikecosta

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