Brincar Com o Fogo

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Drama 118 min 2024 M/12 06/03/2025 FRA

Título Original

Pierre (Vincent Lindon) é um trabalhador dos caminhos-de-ferro que, na juventude, foi um feroz militante antifascista. É por isso que, quando percebe que Fus (Benjamin Voisin), o seu filho, se começa a dar, primeiro de forma pouco política, com um bando de “skinheads” supremacistas brancos e é atraído pela sua causa, tal facto lhe faz ainda mais confusão. Como é que a educação boa e cheia de compaixão que tentou dar a Fus e ao seu irmão mais novo falhou assim e resvalou para a extrema-direita? É esta a premissa da terceira longa-metragem das irmãs Delphine e Muriel Coulin, que em 2011 fizeram “17 Raparigas”. PÚBLICO

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Críticas dos leitores

4 estrelas

José Miguel Costa

O filme "Brincar Com o Fogo", dirigido pelas irmãs Delphine Coulin e Muriel Coulin, é um drama social (e politico nas entrelinhas) com uma abordagem eminentemente naturalista, que cingindo-se às vivências de um microcosmos (um núcleo familiar da classe operária, de uma pequena vila do interior de França, constituído por um pai viúvo e dois filhos jovens adultos) que vê germinar no seu seio as sementes da extrema-direita, serve-se delas como espelho do "Estado da Nação".

Em crise com uma nova geração acrítica (esquecida/negligenciada pelos decisores políticos) que se deixa contaminar por polarizados ideais populistas ultra-nacionalistas dissiminadores de discursos de ódio de cariz racista, xenófobo, misógino, homofóbico e islamofóbico que, sob a capa de uma alegada luta anti-sistema, reduzem a realidade à rudimentat dicotomia "Eles versus Nós".

Vincent Lindon encarna Pierre (prémio de Melhor Actor no Festival de Veneza), um operacional dos caminhos-de-ferro tradicionalmente ligado à esquerda, que nunca deixou faltar nada aos filhos (ambos estudantes, um deles prestes a entrar para a universidade e o outro a frequentar um curso de formação profissional).

A degradação da harmoniosa e intimista dinâmica relacional progenitor/filho "menos escolarizado" surge quando este último (Benjamin Voisin, que nos granjeia com um excelente personagem ambivalente) passa a confraternizar com um grupo de violentos jovens nacionalistas (embora, ele aparentemente, mantenha uma postura "terna").

O "pai-galinha" não compreende a alteração da conduta comportamental do ("novo") filho frustrado e vazio (que culpa as minorias residentes no pais por "todos os males e mais alguns") e, por consequência, não sabe como reagir à mesma de modo assertivo e construtivo (sendo tal magistralmente verbalizado, pelo próprio, nas emocionantes cenas finais). Perante esta impotência a ruptura (irreversível?) entre ambos torna-se inevitável. A química emanada pela interacção entre estes dois actores é um autêntico "tratado de representação".

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