Cinecartaz

Jay R.

Nem Hollywood nem Kieslowsky

O ponto é, tinha de haver qualquer coisa que sobrasse dos anos de ouro da Cinecittà. Moretti, tudo bem, mas é pouco depois dos cumes dos grandes italianos. E precisamos deles, a cavalo na técnica oliuedesca e na sensibilidade amarcórdica. Depois dum filme de Kieslowsky sentimos, é certo, a gratidão por haver quem ainda tenha uma paleta de emoções e advérbios de modo que não se fique pelos canones de Hollywood. Mas este "o melhor de nós próprios" é um híbrido que se agradece. Tem a eficácia novelesca duma rede Globo, as decisões eficazes da linguagem americana mas com a mais-valia dum universo europeu (sem ter que resvalar na idiosincrasia filosófico-moral do leste europeu, por bela que seja). Se alguma vez se pegar no vinte e cinco com olhos de filmar, terá de ser uma coisa assim (e não estrangeirices de filha de Mestre V. de Almeida). Enjoy...

Publicada a 03-05-2004 por Jay R.