Cinecartaz

José Miguel Costa

2 estrelas

"Extremamente Perverso, Escandasolamente Cruel e Vil", do realizador Joe Berlinger, é um thriller biográfico sobre Ted Bundy, o bonitinho e sedutor serial killer que, nos anos de 1970, foi responsável pelo assassinato de, pelo menos, 30 jovens mulheres em vários estados americanos.
À data este tornou-se bastante mediático junto da opinião pública, não apenas pela natureza e dimensão dos seus crimes, mas também pela sua aparência física e devido ao facto do julgamento (no qual assume a sua própria defesa) ter sido o primeiro com direito a transmissão directa pela televisão.

Ted Berlinger opta (erroneamente) por não desmontar o seu monstro glamoroso (não revelando quaisquer histórias do seu passado e/ou as motivações que poderão ter estado na génese da conduta comportamental desviante), bem como não nos confrontar com o modus operandi da sua actividade sombria. A linha narrativa incide sobretudo na dinâmica da ligação amorosa que este manteve durante 5 anos com uma naif jovem mãe solteira (que nos vai sendo revelada através de múltiplos flashbacks) e nos aspectos relacionados com as peripécias legais ocorridas durante o período de detenção/julgamento.
Tal abordagem "retira-lhe nervo" e impede que nos agarremos ao personagem, ou absorvamos a sua (alegada) dualidade enquanto indivíduo sedutor/perverso, pelo que jamais conseguimos traçar o seu "verdadeiro perfil psicológico" (o que fatalmente implicará um gradual desinteresse pela película - que, em boa verdade, é algo frouxa devido a este seu carácter demasiado "agridoce").

Publicada a 31-05-2019 por José Miguel Costa