Cinecartaz

José Miguel Costa

1 estrela

Sou fã confesso do idiossincrático cinema romeno contemporâneo, até porque este, por norma, aposta no realismo cru tão do meu agrado. Todavia, a sua nova coqueluche (que, inclusive, ganhou o Festival de Berlim), o filme "Não Me Toques" de Adina Pintilie, não me seduziu minimamente (e aposto que será o objecto cinematográfico mais estranho - quase "não cinema" - a estrear este ano no circuito comercial luso - ok, estava a esquecer-me da "Estação do Diabo" do filipino Lav Diaz).

Fazendo uso de uma abordagem que toca no limiar da linguagem documental, misturando realidade e ficção através uma entediante narrativa aberta, demasiado enigmática/confusa/estéril e repetitiva (que se arrasta injustificadamente ao longo de 123 minutos de puro suplício), a realizadora basicamente coloca três personagens com alguns handicaps fisicos e/ou psíquicos frente a uma câmara, despe-os (literalmente) e questiona-os directamente (num ambiente hermético e acético de quase ensaio clinico) sobre a forma como lidam com o corpo e os seus fantasmas de indole sexual.
No entanto, apesar de todos estes "constrangimentos", o que aniquila, em definitivo, esta obra é a sua montagem mutilada, bem como a introdução de cenas descontextualizadas/ridículas (possivelmente, com um intituito -pseudo- artístico), que lhe retiram nexo (sendo, deste modo, difícil encontrar um fio condutor coerente, que não a mera exposição voyeurista de "seres inadaptados" através de uma manta de retalhos de "sketches soltos").

Publicada a 22-04-2019 por José Miguel Costa