Cinecartaz

José Miguel Costa

2 estrelas

Em 2015 o hungaro Laszló Nemes saltou para as luzes da ribalta, deixando a critica especializada a seus pés (e amealhando inúmeros prémios), logo no seu primeiro filme, o excepcional "O Filho de Saul", cuja trama nos confrontou com o(s) horror(es) de um campo de concentração nazi sob a visão exclusiva de um dos seus prisioneiros.
Não é, portanto, de estranhar que o seu retorno aos grandes ecrãs tenha gerado grande expectativa, todavia, infelizmente, o "Anoitecer" revela-se uma (enorme) desilusão.

Laszló Nemes volta a optar por um drama de época (desta feita numa Budapeste à beira da primeira guerra mundial) e a dar-nos conta do desenrolar da narrativa pela perspectiva da personagem central (de facto, embora tenha abandonado a filmagem com recurso ao método de câmara subjectiva, contínua com a objectiva sempre grudada - com constantes e prolongados grandes planos - à protagonista).
Filmado em 35mm, seguimos a deambulação desconexa/inconsequente (quase zombie) de uma enigmática jovem de 20 anos, recém-chegada a Budapeste, que após sair do orfanato tenta arranjar emprego numa prestigiada loja de chapéus que outrora pertenceu aos seus pais (que aí morreram num incêndio). Quase no imediato descobre que tem um irmão (alegadamente lider de um grupo de criminosos anarquistas), o que a impele a iniciar uma busca obsessiva pelas peças de um (complexo) puzzle que lhe permita aceder ao seu passado desconhecido (que todos evitam).

A sua sombria narrativa revela-se labirintica e inconclusiva (com demasiadas "pontas soltas" e, não poucas vezes, incongruente), bem como excessivamente arrastada, o que transforma o visionamento desta pelicula, a partir de determinado momento, num processo algo exasperante.

Publicada a 17-04-2019 por José Miguel Costa