Cinecartaz

Rafael Prata

Foi o título que me levou

Eu queria distrair-me com um filme de belas paisagens (Goa), belas mulheres (deusas indianas) e uma comédia leve (o "angry" do título original fazia prever uma boa zaragata) quando os passados de todas se fossem revelando.
O filme deu-me isso, de uma forma rápida, mas o realizador ousou trocar a comédia de acção pela reflexão que nos chega sobre as desigualdades sociais (marcadas na Índia, como afinal no Mundo todo) por castas, classes de riqueza e de instrução, pronúncias regionais e preferencias sexuais.
O final, perturbador para muitos, não deve ser tomado como "mais um filme de violação e vingança", mas como uma desobediência civil não violenta (cristã, mas podia ser de Mahatma Ghandi) contra um sistema de justiça que adia mais de 8 anos a sentença de homens violadores e assassinos. Um sistema de justiça que mantém formas legais de opressão como o Artigo 377 do Código Penal...
Além de 7 jovens e belas deusas, há duas presenças fugitivas e notáveis: a de uma mulher centenária que revela a sua adesão ao inconformismo das jovens, e a de uma menina de 10 anos que usa de forma notável o seu ipod para fotografar flores belas e (para o climax do filme) "flores do mal".

Publicada a 18-06-2016 por Rafael Prata