Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

2 estrelas

A Rapariga Dinamarquesa visualmente é um regalo para os olhos, no entanto, retirada a maquilhagem não tem nada para mostrar-nos por baixo (apesar de abordar uma temática complexa e polémica que daria "pano para mangas", a transexualidade). De facto, Tom Hooper, recorrendo à sua típica veia classicista (que o consagrou mundialmente através do intragável "O Discurso do Rei"), impingiu-nos uma obra dramaticamente inerte, vácua e asséptica (com a agravante de ser demasiado esquemática - por certo, desenhada a pensar nos óscares de Hollywood, tendo ainda como chamariz o tratar-se de uma adaptação livre de uma história veridica), que, possivelmente, nem seria catapultada para o sucesso se não fossem as soberbas interpretações de Alicia Vikander (que já havia dado um ar da sua graça no Ex Machina) e Eddie Redmayne.
Mas o pior de tudo é que a sua narrativa é simplista e constrangedoramente ridicula, quase do género: "era uma vez um casal de pintores que se amava loucamente, sem quaisquer problemas de indole sexual, até ao fatidico dia em que o marido, por uma circunstância do acaso, vestiu umas collants de senhora e ... tcharam ... fez-se-lhe luz e descobriu naquele exacto momento o seu verdadeiro eu e consequentemente a mulher que havia dentro si. Dai a mudar de sexo foi um ar que se lhe deu, tornado-se assim no primeiro homem a submeter-se a tal intervenção cirúrgica" - isto, como é óbvio, sempre dentro de um registo cor de rosa, de modo a não chocar as audiências pipoqueiras.
Portanto ... sem dúvida, um sucesso de bilheteira!


Publicada a 10-01-2016 por JOSÉ MIGUEL COSTA