Cinecartaz

J.F.Vieira Pinto

O Diabo Fosforescente

Cedo se percebe, que não vamos ver um filme "convencional' no sentido em que as imagens nos querem transmitir algo de "lógico" e racional. Todo o filme seguirá essa linha e, o "fosforescente" - plasticamente belíssimo, diga-se - "diabo", parece corroborar a ideia com que ficamos desde o início. Narrativa? Reygadas poderá contrapor com um: "o que é isso?". Ficamos sem poder de argumentação para tudo o resto.
O realizador apenas está a ser igual a si próprio e basta revermos o belíssimo "Luz Silenciosa" para perceber que este autor segue as suas próprias ideias. Pode dar-se feliz com isso: nem todos os realizadores têm essa sorte. Um cinema "hermético" como o de Carlos Reygadas precisa de ter essa "sorte" de conseguir os meios - leia-se dinheiro - para a sua produção que não foi barata.
Terrence Malick - fala-se dele no trailer - outro realizador "alternativo", tem tido a vida facilitada pela simples razão de ter uma "máquina" montada e mais que oleada.
Cinema de "sonhos" ou poético (e neste termo, cabe tudo o que não conseguimos explicar racionalmente) que tem paralelo no cinema "fantástico" e aí sim, já parecem ser mais "lógicas" as histórias de um Harry Potter, pelo menos para a maioria que "consome" cinema.
"Post Tenebras lux" tem o condão de nos pregar "à cadeira" sempre na expectativa do que vem a seguir. O cinema de Reygadas, precisa de tempo para "marinar". Não tenho qualquer dúvida que será um filme para a história do cinema. A sua curta permanência no grande ecrã assim o confirma...estou a ironizar, claro! Este mexicano de ainda 42 anos terá tempo para nos provar que sabe fazer cinema desde que lhe sejam dadas condições para isso! (***)

Publicada a 26-07-2013 por J.F.Vieira Pinto