Cinecartaz

Fernando Jorge

Gigantesca perda de tempo!

Depois de tanto alarido, e apesar de não ser habitué de todos os filmes de terror ou suspense, fui ver o filme, e saí de lá convencido de que de facto, para uma verdadeira estopada destas ter tanto sucesso e provocar tanto alarido, só podemos mesmo atravessar uma época de grandes susceptibilidades e crises emocionais graves, com todo o respeito pelos gostos diferentes, pois gostos são gostos e não se discutem. O filme é aqui o que em inglês se diz bem a monumental bore, ou seja, uma estopada monumental, aborrecidérrimo, passado desde o fim ao início na mesma casa, filmado tipo 'câmara na mão', pois o casal, especialmente a mulher, muito susceptível a barulhos esquisitos em casa, desata a filmá-los para se aperceber dos fenómenos paranormais que existirão no lar. Estes são parcos, passando pelo ranger de portas e umas pancadas secas, mais uma pegaditas pouco habituais, e mais não digo para não usar um 'spoiler', quer dizer para não desvendar mais da história pois poderá haver mais uns incautos que queiram ir perder tempo com este autêntico soporífero. Também não conseguiria descrever muito mais, pois dormi o terço final do filme. Não quer dizer que o ponto de partida não fosse bom, pois apela ao inconsciente que muitas pessoas têm, os medos dos barulhos em casa, o escuro, etc., mas o que retira toda e total credibilidade ao filme é não só a própria maneira de apresentar os eventuais fenómenos, câmara irritantemente quase sempre aos solavancos, como a total inépcia e ineficácia dos actores, de quem já li excelentes críticas, alegadamente naturais, mas que para mim são de um amadorismo confrangedor, especialmente ela, jovem do tipo galinha histérica em período menstrual, cuja 'interpretação' retira total credibilidade ao filme. Tão pouco credível que, quando finalmente acordei no final, com um barulho final que se ouve, me fartei de rir ainda, pois a estocada final no filme então é o cúmulo da anedota (ninguém acredita, depois de ver o filme, que o que está na espécie de epílogo aconteceu mesmo!). Enfim, dos piores filmes do género que tenho visto, um aborrecimento total, e francamente pelas reacções dos circunstantes fiquei convencidíssimo de que uma grande parte pensava como eu, para além do que não vi nem ouvi na sala qualquer reacção do género daquelas que vi em trailers com os espectadores aos pulos. Não consigo perceber o sucesso do filme senão por uma excelente campanha de marketing, e devido aos tempos que vivemos, em que anda tudo mais ou menos emocionalmente instável e encontram saída para a instabilidade nestas histórias da carochinha ou então em histórias desconexas de vampiros e vampirescas, desprovidas de qualquer sentido ou interesse, que não sejam os corpos e beleza física dos meninos e meninas actores que por lá pululam! O meu conselho é pois, que quem não quiser perder tempo e dinheiro que será mais bem empregue noutro lado não vá, quem quer curar uma boa insónia, apresente-se e durma descansado.

Publicada a 08-12-2009 por Fernando Jorge