Cinecartaz

José Miguel Costa

4 estrelas

O filme "O Capitão", do alemão Robert Schwentke, cuja acção decorre na Alemanha, nas duas semanas que antecedem o final da segunda guerra mundial, e que tem por base a história (baseada em factos verídicos) de um desertor do exército germânico que, aquando da sua fuga, encontra uma farda pertence a um capitão do Hitler (e consequentemente decide adoptar uma nova identidade), é um ensaio brilhante (em registo quase burlesco, apesar do dramatismo que o caracteriza) sobre a banalidade do mal (e de como a sua "semente" está omnipresente, aguardando apenas "terreno fértil para germinar").

É uma obra descrente na humanidade do Homem (pese o pleonasmo) que, de modo quase inato, parece não ter capacidade de resistir à corrupção do poder. E demonstra-o de forma cruel, expondo-nos perante a barbárie sem limites que Ele é capaz de impingir ao seu semelhante (esmiuçando uma dimensão, por norma, ausente das obras que exploram esta temática, ou seja, o - também - extermínio de alemães nos campos de concentração, sob a justificação de serem traidores e/ou ladrões).
No entanto, apesar de retratar um universo trágico não deixa de ser visualmente deslumbrante, graças à sublime fotografia a preto e branco (sem dúvida, uma das grandes virtudes deste filme co-produzido pelo Paulo Branco).

Publicada a 23-03-2018 por José Miguel Costa