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Acreditamos em Ti

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Drama 78 min 2025 M/14 04/06/2026 BEL

Título Original

Ansiosa e exausta, Alice está prestes a entrar numa audiência para que seja decidida a guarda dos dois filhos. Ela acusa o ex-marido de agressão e abusos sexuais sobre os menores e é para ela impensável deixá-los a sós com ele. Enquanto se vê forçada a expor a intimidade da sua família perante uma plateia de desconhecidos, sabe que, para proteger as crianças da violência do pai, tem de acertar tudo ao milímetro, sem qualquer margem para erro. 

Construído quase em tempo real, este drama explora as fragilidades dos mecanismos da justiça e o desgaste emocional das vítimas num sistema que se mantém num limbo entre a prudência institucional e a necessidade de protecção.

Escrito e realizado por Arnaud Dufeys e Charlotte Devillers, conta com as interpretações de Myriem Akheddiou, Laurent Capelluto, Natali Broods, Adèle Pinckaers e Ulysse Goffin. 

Críticas Ípsilon

Acreditamos em Ti: imagens de uma mãe

Jorge Mourinha

Uma pequena surpresa oriunda da Bélgica: um filme de rostos contado em tempo real que coloca o espectador no lugar das personagens com inteligência e determinação.

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Críticas dos leitores

4 estrelas

José Miguel Costa

O filme "Acreditamos em Ti" (galardoado no Festival de Berlim), realizado e escrito pela dupla belga Arnaud Dufeys e Charlotte Devillers, é um drama realista com uma (in)tensa carga emocional (sem quaisquer resquícios de voyeurismo/sensacionalismo, apesar do peso da temática abordada) sobre pedofilia em contexto familiar e as inerentes consequências que acarreta na dinâmica relacional dos elementos envolvidos (o filho de 10 anos, suposta vitima de abuso sexual; o pai, alegado agressor - ainda na condição de presumível inocente, dado o respectivo processo legal encontrar-se em curso - e a mãe superprotectora).

Expõe, igualmente, as fragilidades do sistema judicial, cujos procedimentos utilizados não protegem devidamente as vitimas, ao força-las a relatar/vivenciar repetida e pormenorizadamente os eventos traumáticos (bem como ao colocá-las cara a cara com o agressor no decorrer das prolongadas audiências prévias à tomada de decisão). A história, relatada sob a perspectiva da protagonista (a inconformada e ansiosa progenitora, encarnada visceralmente pela Myriem Akheddiou), insere-nos no espaço exíguo de uma sala de tribunal, para aí assistirmos ao esgrimir de argumentos das partes em litígio (acompanhadas dos respectivos advogados), perante uma juíza, com vista à obtenção da custódia sobre o menor (acção interposta pelo pai, contra a vontade da criança, que nutre um medo incontrolável pelo mesmo).

A força desta obra, que coloca os nervos do espectador em franja, é potenciada pela opção de filmagem em tempo real, num formato 4:3 e com recurso quase exclusivo a planos fechados, criando, desse modo, um ambiente claustrofóbico que não deixa escapar qualquer movimento facial dos intervenientes (refira-se, a titulo de curiosidade, que os profissionais judiciais em cena são actores não profissionais que representam o seu próprio papel - o que confere uma preciosa autenticidade). @jmikecosta

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