Cinecartaz

Paulo J.R. Neves

O Amor na Verdade

Depois de tantas idas ao cinema com a minha namorada, para ver as mesmas comédias românticas com as mesmas piadas e os mesmos actores, pensei que este seria mais um "flop" característico do sr. Hugh Grant. Afinal de contas, tenho que desculpar-me por este negativismo típico de um parceiro masculino ou de tantos "self-made" critícos de cinema e agradecer aos responsáveis por "Love Actually" pela boa sensação de felicidade que deixa em praticamente todos os espectadores. Essa foi, pelo menos, a sensação dominante na sala de cinema da UCG em Londres. E quem mais que os britânicos terá o direito e o prazer de discutir este filme? Apesar desta ser "mais uma comédia romântica", não deixa de ter um "algo mais" que é provavelmente aproveitado pelo paralelismo temporal com a quadra natalícia. As oito histórias dividem-se pelos vários tipos de amor de que o narrador fala no princípio do filme. A ligação entre as histórias, nem sempre muito clara, é no entanto tolerável, assim como talvez se tolere o facto da história de amor entre o nº10 de Downing Street e a rapariga do chá aparecer com um extra-protagonismo. Ao menos o sr. Hugh Grant não tem tantas oportunidades de "ser (sempre) ele mesmo" como nas produções anteriores. Deixando de parte os "downside", ou lados menos positivos, pode-se definitivamente declarar "Love Actually" como o "must" deste Natal - a não ser que em vez de lamechas e piegas tornemo-nos todos mas é num bando de crianças mal-crescidas e deixemo-nos levar pela fantasia natalícia hollywoodiana de "Elf". Falando sério, vejam o filme, não só pela nossa Lúcia Moniz, não só pela boa crítica cá em Inglaterra, mas também por ser um grande animador da alma. Enfim, um filme bonito.

Publicada a 23-11-2003 por Paulo J.R. Neves