Cinecartaz

Luís Mendonça

Desilusão

Um filme que prometia, mas que acaba por desiludir. A história de "O Pântano" gira em torno de uma família Argentina de classe média e do pântano em que esta se encontra mergulhada. A lama e a sujidade que dele provêm são a metáfora para este auspicioso filme de estreia de Lucrecia Martel. O filme não se preocupa em contar uma história e só tira proveito disso: pretende documentar a realidade de um país desencorajado, triste e cheio de falsas esperanças. A mãe e o pai são alcoólicos, o filho é imaturo, as filhas vivem como parasitas. Dependem todos uns dos outros, mas ninguém sabe ser feliz. Ao mesmo tempo que reina o estado de inércia nesta família, todo o país vibra com o eventual aparecimento da Virgem num bairro pobre. Mas este pessimismo incontornável não nos chega a chocar, preocupar ou simplesmente emocionar: o filme é competente, mas falta-lhe genuinidade. As personagens são caricaturas resultantes de uma sociedade apodrecida, só isso. Não é um filme que nos encha as medidas: falta volume às personagens e alguma novidade que nos faça reagir.

Publicada a 20-10-2003 por Luís Mendonça