Cinecartaz

F.J.Forte

O testamento

Eis o testamento digno do seu autor! J.C.Monteiro nem sempre foi um realizador compreendido por todos, e talvez, em boa verdade, se estivesse, como ele diria, ou ainda mais acintosamente, utilizando outra expressão vernacular, a marimbar para isso. Goste-se ou não, Monteiro era um génio criador, de uma visão pessoalíssima, mas ao mesmo tempo crítica e corrosiva não só da sociedade portuguesa, mas da sociedade e dos seus códigos, que invertia a cada momento, com quadros fulminantes e certeiros, construídos, como é óbvio, em personagens do mesmo calibre. Se bem que me parecem desiguais na sua componente artística, os seus filmes, vistos em retrospectiva, formam um universo pessoal único e coerente, quer do ponto de vista formal quer material. Ao morrer, Monteiro deixou assim um testamento marcante, a conservar e a estimar, neste vai e vem que é a vida. Bem haja!

Publicada a 28-04-2004 por F.J.Forte