O castrar da vontade sempre nos impressionou, a nós seres que somos conscientes dessa sensação do querer. Em "Irmãs de Maria Madalena" é apresentado ao espectador um mundo contemporâneo (o último "lar" da ordem só foi encerrado em 1994), real e de um país que está, em termos de desenvolvimento económico e cultural, alguns passos à nossa frente. A acentuação irlandesa das palavras dá uma tónica ainda mais credível à acção e a interpretação das principais protagonistas (o que inclui a da Madre e a surpreendente actuação de "Cristina" — que é a vitima por excelência de um modo abafado por um manto de "pureza" e "castidade" ) não lhe fica atrás. Dá-nos que pensar o quanto nós não somos coniventes com os preconceitos: quantos de nós não assistiria impávido a situações idênticas no nosso "cantinho do céu", só porque a sociedade (e por que não a saciedade de algo...) assim o tinha estabelecido? Em suma, algo que vale a pena ver, pensar e rever.
João Paulo Silva