Cinecartaz

José Miguel Costa

2 estrelas

O octogenário holandês Paul Verhoeven (que se transformou num cineasta estratosférico graças ao célebre descruzar de pernas da Sharon Stone no filme "Instinto Fatal") regressa aos grandes ecrãs, cinco anos após o excelente "Elle", com um drama de época de cariz erótico-religioso ("Benedetta").
Uma obra inspirada na história veridica de uma freira italiana do século XVII, que após ser percepcionada pelos conterrâneos como uma figura santificada (devido às suas visões de Jesus e por apresentar múltiplos estigmas), caiu em desgraça com as acusações de blasfémia e de conduta lasciva por manter relações sexuais com uma noviça.

A força deste filme provém exclusivamente das cenas (alegadamente) polémicas de indole sexual num contexto sagrado, já que tudo o resto revela-se um total desapontamento para com o "mestre da manipulação".
A narrativa encontra-se recheada de patéticos/descontextualizados diálogos que roçam a irrisão e a reconstituição de época, bem como a fotografia, são quase amadoras (será tal facto propositado, em nome de um qualquer statement?).

Publicada a 01-12-2021 por José Miguel Costa