Cinecartaz

José Miguel Costa

4 estrelas

O canadiano Denis Villeneuve, após granjear a simpatia do público e da critica especializada (bem como a minha) com os os filmes "Homem Duplicado" (adaptação de um livro de Saramago), "Raptadas" e "Sicário" transformou-se, a par de Christopher Nolan, num dos raros realizadores de "blockbusters cerebrais", e a partir do lançamento de "Arrival" (2016) parece ter mudado o foco em exclusivo para o género sci-fi.

Depois de em 2017 ter-nos brindado com a obra-prima "Blade Runner 2049" (filme-sequela de um "clássico de nicho" imortalizado por Ridley Scott), eis que volta a pegar sem temor num colosso que já esteve nas mãos do inigualável mestre David Lynch, "Dune" (e o reultado final não desaponta - de todo!).

Primeira parte de um projecto, que deverá ter continuidade no próximo ano (como detesto ficar tanto tempo à espera "com água na boca"!), transporta-nos até um futuro distópico, no qual vários lideres planetários conspiram, e lutam entre si, pelo controle de um planeta desértico (habitado por um povo guerreiro que sobrevive no subsolo, à espera do Messias que os salvará das garras dos tiranos - encarnado pelo novo menino bonito de Hollywood, Timothée Chalamet) rico numa substância, apenas aí existente, essencial para as viagens intergalácticas.
Apesar de ser técnica e visualmente avassalador, há quem o conteste devido ao seu (alegado) ritmo lento e narrativa hermética. Todavia, não acompanho tal visão, por entender que tal opção é apropriada para uma obra eminentemente atmosférica e introspectiva, bem como por tratar-se de uma espécie de prólogo que serve de apresentação e desenvolvimento (sem pressas) das personagens principais para o "next episode".

Publicada a 26-10-2021 por José Miguel Costa