Cinecartaz

José Miguel Costa

2 estrelas

O meu "relacionamento" com o Clint Eastwood deixa-me desconcertado, pois não gosto dele enquanto "pessoa" (um republicano empedernido, apoiante do Trump e fervoso adepto do lobby pró-armas), mas admiro-o como cineasta (um nonagenário que continua a lançar filmes com uma periocidade quase anual - o Manoel de Oliveira americano) e, inclusive, idolatro um determinado período humanista da sua carreira cinéfila (é impossivel não amar "As Pontes de Madison County", "Mystic River", "Million Dollar Baby", "Flags of Our Fathers", "Carta Para Iwo Jima" e "Gran Torino").
Felizmente, para "descanso da minha consciência", a partir do inicio da segunda década do século XXI, passou a dedicar-se a mediocres peliculas de (quase) propaganda patriótica (a titulo de exemplo, "Sniper Americano"), e consequentemente comecei convictamente (como que para exorcizar o meu crash passado) a cuspir cobras e lagartos sobre o senhor.
No entanto, ao visionar o trailler de "Cry Macho - A Redenção" pensei para com o meu fecho (não tenho botões): "opá isto parece ter umas semelhanças com o Gran Torino! Querem ver que vou ter uma recaida amorosa?" Ufffff tal receio manifestou-se infundado (todavia, reconquistou o coração da generalidade da critica especializada - uns fracos!).

Posso até estar a ser mesquinho ao não dar de mão beijada nova oportunidade ao senhor, mas esta espécie de western mexicano (em modo road movie) que nos relata a história de um cowboy velhote (antigo campeão de rodeos caido em desgraça, após um acidente que vitimou a sua família) que se dirige ao México para resgatar da mãe o filho de úm amigo (por forma a pagar-lhe um favor), apesar de ternurenta (pisando, não poucas vezes, o limite da lamechice), soa-me a postiça (até ao nivel da representação), infantil e com "soluções narrativas" inverossímeis.

Publicada a 23-09-2021 por José Miguel Costa