Cinecartaz

José Miguel Costa

4 estrelas

O realizador dinamarquês Thomas Vintenberg marcou-me, de modo irreversível, com os filmes "A Festa" (datado de 1998, um dos expoentes máximos do movimento cinematográfico dogma 95, criado em parceria com o seu conterrâneo Lars Von Trier) e "A Caça" (2012), ambos detentores de uma tensão psicológica (ao nivel das relações interpessoais) capaz revolver as entranhas.

Eis que retorna com "Mais Uma Rodada", obra mais mainstream (até para os padrões comerciais de Hollywood, que lhe ofereceu o Óscar de melhor filme internacional - após ter arrasado nos aclamados festivais de Berlim, Toronto e San Sebastian) e dramática q.b. (inclusive, é aligeirada com uns toques de comédia).
"E isso é mau?" perguntar-me-ão, porventura, vocês? Apesar de não nos fazer contorcer nervosamente na cadeira, claro que Ele "continua a dar cartas" (e de que maneira!), ainda mais quando volta a apostar no parceiro de jogo de "mão firme" (o protagonista de "A Caça"), Mads Mikkelsen.

O arco narrativo, relativamente simples (mas que cativa pela "intimismo" que emana), volta a enveredar no universo da disfuncionalidade relacional (embora de forma exponencialmente menos catártica). Desta feita pegando da temática do alcoolismo (uma das chagas sociais da Dinamarca) e tendo por foco do enredo um grupo de quatro professores do ensino secundário, em plena crise de meia idade, algo insatisfeitos com o rumo das suas existências monótonas, que durante um jantar decide, por piada, colocar à prova a teoria maluca de um filósofo norueguês que defende a necessidade do corpo humano se manter permanentemente com um nível de alcoolemia de 0,05 %, por forma a atingir a estabilidade emocional.
A partir daí passam a ingerir álcool diariamente para a realização das tarefas mais rotineiras, inclusive durante as aulas. E se os primeiros resultados da experiência até são animadores e lhes induzem confiança, com o decorrer do tempo ...

Publicada a 01-05-2021 por José Miguel Costa