Cinecartaz

Guilherme Teixeira

A volta do Mestre.

Senhoras e senhores, o mestre está de volta.
David Fincher volta com um filme sobre um dos grandes da história de Hollywood, Mankiewicz e o processo de escrita do argumento de Citizen Kane.
O filme leva-nos a Hollywood dos anos 30/40 ficando na retina a construção de época a todos os níveis, o que foi uma tacada de gênio de Fincher, pois dá a sensação que estamos a ver um filme produzido nessa altura.
A história gira em torno de Mankiewicz, um argumentista com alguns problemas com o álcool e viciado nos jogos de azar, e a sua relação com algumas pessoas influentes da indústria do cinema que leva com pano de fundo a eleição de 1934 do estado da Califórnia.
Mank não é uma boa influência e o filme não esconde isso, contudo parece ser impossível ficar chateado ou até contra as ações mais reprováveis, pois vem sempre ao de cima um charme típico desta pessoa que nos prende ao personagem e ao filme com todas as forças.
Como já referido, o longa trata de explorar a vida deste cineasta em sintonia com o processo de escrita do argumento de um dos filmes mais reconhecidos no cinema,Citizen Kane, fazendo o contraponto de algumas personagens que aparecem no filme com pessoas que Mank se cruzou ao longo da vida.
Gary Oldman está muito bom como Mankiewicz, mas o destaque vai para Amanda Seyfried que tal como Gary Oldman deve ser lembrada na época das premiações. Importante também não deixar de parte Arliss Howard, que interpreta Louis B Mayer fundador da MGM e que trás para a tela uma das melhores performances do filme.
Concluindo, estamos perante um longa que nos conta uma história envolvente, que mesmo quando estamos a sair do filme ela volta a agarrar-nos com alguma controvérsia ou comentário político. É uma clara homenagem a Hollywood e não deixa de ser interessante ver os bastidores da sétima arte dos anos 30. 

Publicada a 07-12-2020 por Guilherme Teixeira