Cinecartaz

José Miguel Costa

3 estrelas

Dois jovens adultos, amigos de infância, prestes a separarem-se (por um deles ir trabalhar durante dois anos para a Austrália), perdem uma aposta e como consequência têm que filmar uma cena (para uma curta-metragem amadora) em que ambos se beijam. Após tal acto, aparentemente anódino, surgem alguns constrangimentos/dúvidas, pelo que relação destes entra em processo de deterioração.

Esta é a base narrativa do filme dramático dirigido/escrito/protagonizado pelo canadiano Xavier Dolan (o menino bonito de Cannes - e o meu também -, que aos 30 anos já tem 8 filmes no seu currículum, de entre os quais se destaca a obra-prima "Mamã"), "Matthias e Maxime". Como é seu apanágio, incide sobre as temáticas da homossexualidade juvenil e conflitualidade geracional (progenitor@ versus filh@) em familias disfuncionais (um dos subtemas, igualmente, aflorado nesta obra).
Desta vez, explora-os de um modo mais comedido/minimalista (maduro?), quase renegando alguns dos traços estilisticos que lhe deram visibilidade/conferiram "identidade" (nomeadamente, o seu espirito pop - com constantes explosões musicais e de cores saturadas - e o uso e abuso de filmagens em câmara lenta intercaladas com cenas frenéticas).
No entanto, tal opção/evolução artistica não o diminuiu, já que conseguiu impregnar a obra com uma cativante atmosfera sedutora e introspectiva (e, em simultâneo, manter uma certa inocência juvenil), graças a um acutilante "olhar da câmara" (eximia em captar pequenos gestos fugazes e palavras "não ditas", que "fazem o filme"). Verdade que para o efeito também muito contribuiu o magnético co-protagonista, o luso-descendente Gabriel d'Almeida Freitas (fiquem de olho nele!).

Publicada a 22-06-2020 por José Miguel Costa