Cinecartaz

José Miguel Costa

4 estrelas

No ano passado o Ari Aster chamou a atenção dos fãs do terror (e da critica especializada - que não tem por hábito ser benévola por ai além com tal registo cinematográfico) com o seu primeiro trabalho, "Hereditário". Pessoalmente, julguei-o algo sobrevalorizado ... até colocar a vista em cima do seu novo filme, "Midsommar - O Ritual" (que o próprio realizador define como uma espécie de "Feiticeiro de Oz" para tarados - adoro esta comparação!)

Embrenha-se novamente no universo do terror, mais concretamente, no subgénero "pagão". Embora - talvez - fosse mais correcto percepcioná-lo como uma obra de cariz antropológico com rituais algo violentos (e isto porque nalguns aspectos surge quase como uma antitese a tal género, já que toda a acção decorre num quase paraíso idílico, povoado por tradições ancestrais e saturado de cor e luz do sol, sem quaisquer resquicios de "negrumes" - à excepção dos de indole psicológica).

Claro que o dark side se vai instalando no seio da beleza, lenta e pacientemente (através da acumulação subtil de pequenos detalhes e acontecimentos insólitos), até criar um clima de ameaça iminente para o grupo de seis jovens americanos em visita a uma isolada comunidade sueca para assistir à celebração do solstício de verão.

Grosso modo, ficamos aterrados, não pelos sobressaltos que eventualmente nos induz (que, em boa verdade, são diminutos), mas devido à sua transcendência visual (e isso é assustador para uma película de terror que deveria ser feia, porca e má, certo?), até porque as "imperfeições" resultam mais grotescas quando eclodem no seio da aparente perfeição.

Publicada a 30-09-2019 por José Miguel Costa