Cinecartaz

José Miguel Costa

1 estrela

Brian de Palma já foi um dos "Intocáveis" da sétima arte, todavia, qual "Missão Impossível", foi perdendo vertiginosamente as boas graças de Hollywood, pelo que hoje em dia "anda por aí aos caídos", à mercê de financiamentos (sobretudo) europeus para dar continuidade ao seu legado cinematográfico (cada vez mais medíocre).
Espelho desta trajectória descendente é o seu mais recente filme, "Dominó - A Hora da Vingança", quase inqualificável de tão ridículo (uma autêntica "queda de tromba"), nomeadamente, ao nível da sua retalhada narrativa inverossímil e primária. Verdade que o próprio poderá ser alheio a tal resultado final, uma vez que abandonou o projecto a meio, por divergências artisticas, tendo, inclusive, desautorizado o processo de montagem (que cortou a obra para metade do tempo inicialmente previsto).

Domino é uma produção dinamarquesa (que prova que o sair - ou ser empurrado - do "Sistema" não implica necessariamente independência), que tem nos papéis principais Guy Pearce e duas das estrelas galácticas da "Guerra dos Tronos", Nikolaj Coster e Carice van Houten (sendo que nenhum dos três parece acreditar nos seus próprios personagens, tal é a falta de empenho/"veracidade" que demonstram).

Trata-se de um convencional triller anémico (cuja acção decorre em três países - Dinamarca, Bélgica e Espanha), impregnado de clichés (e no qual algumas das cenas parecem surgir, sem qualquer rigor, como que "caídas do céu aos trambolhões"), sobre a investigação levada a cabo por duas forças da lei (que operam de costas voltadas) com o objectivo de capturar um perigoso lider do estado islâmico que está a preparar um atentado terrorista em solo europeu.

Publicada a 30-07-2019 por José Miguel Costa