Cinecartaz

Rosário Forjaz

Laisser faire laisser..

Um filme um pouco desconcertante. Não vi o primeiro do autor. Gostei de ver o filme mas não o aprecio particularmente. Recomendo no entanto, porque nos faz pensar na sociedade de relacionamentos e identidades em que vivemos. O título original, “Nous finirons ensemble” acerta mais do que a versão portuguesa, no que penso ser uma mensagem positiva de aceitação ou luta contra a solidão. Porque penso que o sentimento de solidão que a personagem do Max veste e bem nos pode confrontar com esse mundo das amizades e das formas de ser e estar com os amigos. Mas também nos pequenos detalhes de alguns gestos, encontro laivos de inconsciência e irresponsabilidade em idade adulta. A câmara está atenta ao detalhe de uma fracção de segundo, em que uma mãe se esquece do filho no táxi como a outras peripécias do grupo e do Max e do Max com o grupo e do grupo sem o Max, que ilustram bem as fragilidades desta sociedade que de país para filhos afirma a podridão e a apatia do laisser faire laisser passer tão frágil numa comunidade europeia que persiste em não assumir deveres de construção social séria em que todos somos responsáveis.

Publicada a 24-06-2019 por Rosário Forjaz