Cinecartaz

José Miguel Costa

3 estrelas

Angèle é uma determinada (e antissocial) millennial de classe média, precária e ortodoxa comunista utópica, que recusa ajoelhar-se perante o alienante/explorador sistema capitalista. É uma resmungona nata (que vive de acordo com os princípios que advoga) em perpétua luta contra tudo e todos, nomeadamente a hipócrita esquerda caviar (e nem os familiares escapam à sua “censura” - a título de exemplo, refira-se que há anos que não contacta com a mãe, por esta ter abandonado a sua condição de revolucionária maoista, ao contrário do seu pai, que se mantém um lírico acomodado… e incongruente).

Esta personagem central é, sem dúvida, o abono de família da comédia “O Que Me Ficou da Revolução", da realizadora Judith Davis. No entanto, tal acaba por revelar-se "poucachinho" à medida que a acção decorre (vitima de um insuficiente desenvolvimento tanto das personagens quanto da narrativa - que até possui um bom "arranque").

Publicada a 04-06-2019 por José Miguel Costa