Cinecartaz

Nazaré

Biopic sui generis

Vim a uma ante-estreia, esperava encontrar uma tribo de fãs e na realidade não havia mais ninguém. Desolador. Espero que a fita tenha mais sucesso quando for lançada comercialmente, é um interessante retrato (não se pode chamar de biografia). Concentrado na infância e nos turbulentos anos 70, tem pelo meio aquela fase crucial em que o Reg decide esconder-se no Elton. Apesar de ser financiado pelo próprio, até admira como neste filme se expõe tanto o homem. Quem quer que se interesse minimamente pelo artista vai gostar de ver as revelações que passam pela tela. Saber afinal quem ele é. Bernie Taupin é também muito importante, como não podia deixar de ser. Mas enquanto a personagem é sabiamente doseada ao longo do filme, a obra dele - as letras das canções - é posta bem em destaque, encaixando-se as canções na narrativa como se fosse uma ópera (rock). Magnífico! Gostei especialmente das cenas onde entram Goodbye Yellow Brick Road e a canção título, Rocket Man. Só é pena alguém ter achado que as legendas das letras tinham de ir para o canto inferior esquerdo, como que tirando-as de cena. Pelo contrário, deviam estar bem no meio, pois são letras elaboradas, que merecem ser lidas e compreendidas, enquanto passa a música e o que encenaram para ela. Também foi perturbador a história ser contada sem respeitar a ordem cronológica, misturando eventos anacronicamente; percebe-se a vontade de conseguir alguns efeitos dramáticos, assim como a excelente fluidez narrativa, mas quase de certeza isto vai gerar confusão no futuro. Cheguei a estranhar a omissão dos outros músicos, como se não tivessem existido, mas o tema é Elton, não a música dele, acaba por aceitar-se. Um filme à altura das expectativas, sem dúvida nenhuma.

Publicada a 21-05-2019 por Nazaré