Cinecartaz

José Miguel Costa

3 estrelas

"Sinónimos", uma coprodução entre Israel e a Alemanha sob a direcção de Navad Lapid, é um surrealista filme trágico-cómico, com um fundo de critica politica (a Israel em concreto e aos nacionalismos em geral) a pairar "ad aeternum", que nos coloca perante um estranho/indecifrável jovem adulto israelita que abandona o seu país rumo a uma desconhecida França, onde não possui qualquer rede de contactos, na campanhia de um singelo dicionário, determinado a não retornar e a jamais falar hebraico (já que considera a sua pátria como um cancro que precisa ser removido)

Excessivamente hiperbólico e desconexo (deambulando entre o absurdo, o sarcasmo e a sátira), vai-se (des)construindo através de "peças" (aparentemente) incaixáveis, que jamais nos permitem conhecer na integra os seus personagens e mensagens, tal é a desordem e a mutação quase esquizofrénica ao nível da abordagem estética, ritmo e linguagem de uma narrativa que estica até aos limites do realismo, quase roçando o ridiculo (embora, em múltiplos momentos tais opções artisticas, se encaradas como metáforas, sejam geniais - só que "o que é demais cansa").

A única constante é a performance do (magnifico) Tom Mercier que, apesar das inconsistências/insanidades e contradições do seu personagem, exerce um magnetismo tal sobre o espectador que acabamos por ser incapazes de menosprezar esta incomum obra (que, verdade seja dita, se nos dermos ao trabalho de "decifrá-la", por certo, dirá muito sobre a actuação questionável do estado israelita - e, como prova de tal, basta estarmos atentos às inteligentes alegorias do início e encerramento).

Publicada a 22-05-2019 por José Miguel Costa