Cinecartaz

José Miguel Costa

2 estrelas

Após ter-nos presenteado com o excepcional “Cartas de Guerra” (2016), Ivo M. Ferreira retorna com “Hotel Império” (rodado na integra em Macau), um filme que, tendo por base a odisseia de uma descapitalizada família portuguesa vítima de intensa coação para a venda do decadente hotel colonial de que é proprietária, oferece um olhar critico sobre a especulação imobiliária selvagem e o processo de gentrificação que aniquila os vestígios do passado.

No entanto, esta nova obra (com “o seu quê” de triller neo-noir impregnado de um sedutor exotismo asiático) não chega sequer aos calcanhares da sua precedente (excepto, no que concerne à fotografia, que continua a ser primorosa – desta feita numa “estética néon” em detrimento do preto e branco), consequência da falta de profundidade dramática (tudo soa a básico e até os simbolismos - que tenta introduzir - são demasiado explícitos/forçados) e de um ritmo algo desajustado (retirando a Margarida Vila-Nova, todo o restante elenco parece “andar por ali às aranhas”).

Publicada a 13-05-2019 por José Miguel Costa